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	<title>Alexandre Gamela - Digital Journalist &#187; Entrevistas</title>
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		<title>Hélder Bastos</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 12:53:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Gamela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[ensino]]></category>
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		<description><![CDATA[Hélder Bastos é professor de Ciências da Comunicação na Universidade do Porto e foi um dos primeiros a escrever sobre os novos media e a evolução do jornalismo. Do seu ponto de vista, ele vê que as mudanças estão a decorrer muito rapidamente, e quanto a Portugal ele diz: “Continuamos a chegar pontualmente atrasados ao [...]


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<p align="justify"><a href="http://travessiasdigitais.blogspot.com/" target="_blank"><img src="http://photos1.blogger.com/blogger/4609/2615/320/hb.jpg" alt=" " hspace="5" vspace="5" width="69" height="109" align="left" /></a><strong><a href="http://travessiasdigitais.blogspot.com/" target="_blank">Hélder Bastos</a> é professor de Ciências da Comunicação na Universidade do Porto e foi um dos primeiros a escrever sobre os novos media e a evolução do jornalismo. Do seu ponto de vista, ele vê que as mudanças estão a decorrer muito rapidamente, e quanto a Portugal ele diz: “Continuamos a chegar pontualmente atrasados ao futuro que outros já conquistaram.”</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify"><span id="more-58"></span></p>
<p align="justify"><strong>Com o boom dos novos media, vai-se anunciando o fim dos jornais e de outros meios, como aconteceu com a rádio quando apareceu a televisão. No entanto, ambos coexistem ainda hoje. Porquê tanto fatalismo?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">O fatalismo sempre fez parte da história das novas tecnologias ligadas aos meios de comunicação de massa. E os catastrofistas sempre negligenciaram aquilo a que Roger Fidler chama a <em>mediamorfose</em>, ou seja, a capacidade que os media têm de se adaptar ao aparecimento de novos media. Acresce que, pelas mais diversas razões, nem toda a gente se “converte” aos novos media. Dito isto, há aspectos que, de facto, não têm precedentes no que toca à Internet: trata-se de um meio com uma taxa de expansão muito rápida (nem a televisão andou tão depressa) e com uma capacidade inata para absorver e dar novas formas a todos os media tradicionais (começamos a ouvir falar em Web TV, Web rádio, etc.). Esta realidade serve, inevitavelmente, de combustível à argumentação catastrofista. Para Bill Gates, por exemplo, os jornais de papel já estariam extintos no ano… 2000.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Que características dominam no paradigma actual dos meios de comunicação?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">Talvez possa responder a esta pergunta com palavras ou conceitos-chave: convergência, multimédia, interactividade, redes sociais, imediatez, virtualização, mercantilização, concentração.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Qual é o erro mais comum na avaliação das influências das novas tecnologias sobre a sociedade?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">O de se acreditar que a influência é uniforme e generalizada, isto é, que toda a gente é influenciada da mesma maneira, que todos lidam com as novas tecnologias do mesmo modo e que estas estão ao alcance de qualquer um. Acresce que, não poucas vezes, essa influência é sobrestimada.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>A diferença entre o ciberjornalismo e o jornalismo tradicional assenta apenas numa questão de meio e formato, ou implica uma renovação na aproximação e nos métodos de tratamento da matéria jornalística?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">O ciberjornalismo implica, de facto, novas técnicas e modos de tratar a informação, uma vez que a Web é um espaço “naturalmente” hipermédia. Há, portanto, necessidade de, desde logo, o jornalismo se adaptar ao meio e à gramática do novo espaço em que se move. E isso passa por novos modos de arquitectar, hierarquizar e apresentar a informação. Mas não só: o ciberjornalista precisa também de perceber o ambiente – interactivo, informal, conversacional, 2.0 – da Web, o que nos conduz à questão da renovação na aproximação. A questão da ética é também importante: há um património comum de valores e standards partilhados por jornalistas e ciberjornalistas (esta distinção é um pouco instrumental, mais do que real ou efectiva), mas estes debatem-se com questões, sem precedentes, levantadas, quer pela natureza do meio, quer pela falta de regras claras em relação a diversas matérias, incluindo as legais.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>O jornalismo é uma profissão em mutação, não só ao nível das aptidões, mas na diversidade de funções: o jornalista tem a seu cargo a recolha e redacção da informação, mas a estas funções juntam-se agora o papel de moderador e de produtor hipermédia. Como professor, qual caminho é que acha que se deve seguir: o da especialização ou da polivalência?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">Eu diria que o caminho é o da especialização na polivalência. Cada vez mais, é preciso ser-se bom em cada vez mais coisas, todas elas exigentes em termos de especialização. A procura aponta para uma espécie de jornalista especialista em “banda larga”, que saiba de tudo o que se relaciona com a produção textual e hipertextual, mas que a isso junte o domínio de diversas competências multimédia, videojornalismo incluído. Basta olhar para os anúncios de emprego que surgem, por exemplo, nos EUA. Definitivamente, já não basta a um jornalista saber escrever e ter boas fontes de informação para sobreviver nos ambientes embrionários da convergência e da multitextualidade.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Não há muito tempo, havia alguma resistência nas redacções aos cursos superiores de jornalismo, já que, para muitos, era uma profissão que se aprendia a trabalhar. Hoje em dia, qual é o papel das escolas e o que é que se lhes exige?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">O papel das escolas, e sobretudo da universidade, é o de preparar os futuros jornalistas para o trabalho num ambiente profissional cada vez exigente, competitivo, flexível e carregado de desafios constantes, nomeadamente no que às novas tecnologias concerne. Compete à escola fornecer as ferramentas técnicas, práticas e teóricas essenciais a uma boa preparação para o cabal exercício do jornalismo. Exige-se, portanto, que as escolas e universidades estejam atentas aos desenvolvimentos no campo jornalístico e que sejam ágeis o suficiente para não correrem o risco de ficarem desfasadas em relação às novas realidades. Mais: do meu ponto de vista, as universidades devem esforçar-se por estar um passo à frente, antecipando tendências e experimentando laboratorialmente novas ferramentas e narrativas.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Quais são os maiores riscos éticos para um jornalista hoje em dia? As novas tecnologias trouxeram mais ou menos dificuldades neste campo?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">As novas tecnologias trouxeram novas questões para o debate da ética jornalística, mas também vieram levantar novos problemas deontológicos. Novas questões têm que ver, por exemplo, com a possibilidade de uma maior interpenetração entre publicidade e notícias e entre entretenimento e informação nos ciberjornais poder afectar a qualidade do trabalho jornalístico, com a relação entre a imediatez e a eventual degradação de certos standards jornalísticos, com problemas gerados pelo cruzamento de interesses empresariais, com a indefinição legal à volta da Internet, com a política de hiperligações (ex: estando a realizar um trabalho sobre racismo e xenofobia, deve o ciberjornalista fazer link a uma página de apologistas do nazismo?). A grande vantagem para o enfrentar destas questões é que os jornalistas já têm uma base ética e deontológica tradicional bastante consolidada (apesar de, não poucas vezes, ser desrespeitada impunemente).</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Os novos media são a verdadeira democratização do 4º Poder? Será a Mass Self Communication, como Castells a definiu (<a href="http://diplo.uol.com.br/imprima1379" target="_blank">http://diplo.uol.com.br/imprima1379</a> ),  mais poderosa que os mass media?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">Depende do que se entende por democratização do quarto poder. As novas formas de expressão e participação dos cidadãos na Web não vieram propriamente democratizar os media tradicionais, pois estes, no essencial, mantêm as suas características básicas mais ou menos inalteradas. Os blogues, por exemplo, democratizaram a publicação e a expressão individuais, mas não se pode dizer que tenham democratizado o quarto poder, nem tão pouco que constituam um novo poder em si. A chamada «mass self communication» ganha terreno e força, mas ainda está muito longe de constituir uma alternativa realista aos «mass media»: apesar de estarem a procurar adaptar-se ao avanço da Internet e das suas modalidades comunicacionais, estes mantém o seu poder e hegemonia nas sociedades contemporâneas, quanto mais não seja porque ainda detém o monopólio da comunicação de massa. A «mass self communication» pode influenciar, ou mesmo contagiar, a «mass communication», mas não é, por enquanto, mais poderosa.</p>
<p align="justify"><strong> </strong></p>
<p align="justify"><strong>De que forma é que a agenda noticiosa se pode alterar com o jornalismo participativo?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">O impacto do jornalismo participativo, que ainda está numa fase embrionária, na agenda noticiosa “mainstream” ainda é muito reduzido, algo que é ainda mais notório em Portugal. Mas, em certos casos, pode fazer com que certos temas sejam incluídos naquela agenda, caso os acontecimentos sejam suficientemente fortes, inesperados, polémicos ou inéditos. À partida, uma agenda noticiosa ciberjonalística será mais propensa a absorver contributos do jornalismo participativo do que a agenda dos média noticiosos tradicionais. Mas, quanto a esta questão, convirá lembrar que a própria definição daquilo que é “jornalismo participativo” ainda não devidamente solidificada e enquadrada, algo que torna ainda mais complexas as suas dinâmicas com o jornalismo tradicional.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>As novas tecnologias vêm rotuladas de agregadoras, participativas, democráticas. No entanto, existe uma maioria de info-excluídos (por factores educacionais ou estruturais). Como é que se ultrapassa este paradoxo?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">Creio que este paradoxo nunca irá ser ultrapassado definitivamente. Haverá sempre camadas da população, mesmo nos países mais desenvolvidos, excluídas do progresso comunicacional e informacional (veja-se que todo o século XX não foi capaz de erradicar por completo o analfabetismo e a iliteracia). Apesar disso, nota-se o empenho das empresas ligadas às novas tecnologias no desenvolvimento de produtos cada vez mais acessíveis, manuseáveis e baratos. Neste aspecto, nem todas as intenções são filantrópicas, obviamente.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Tecnologicamente, a evolução da sociedade de informação tem sido exponencial. Mas terá a sociedade acompanhado este ritmo, a nível político por exemplo?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">A política tem, em si, problemas estruturais e conjunturais demasiado graves para poder acompanhar devidamente a evolução tecnológica. A tecnologia, por diversos motivos, corre sempre à frente dos ritmos políticos e sociais, obrigando-os, mais tarde ou mais cedo, a mudar. Os políticos e os cidadãos fazem o que podem para não “perderem o comboio”, mas a velocidade é de tal modo elevada que se torna quase impossível acompanhar os desenvolvimentos e digerir as alterações que as novas tecnologias provocam. A política reage à tecnologia, não a antecipa e, muito menos, a controla.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Há 11 anos atrás, o Hélder Bastos escreveu : &#8220;Em Portugal, o mercado de trabalho na área dos novos media tem de ser procurado, pacientemente, com um microscópio. A maior parte dos diários nem sequer jornalistas a tempo inteiro tem nas suas edições electrónicas(…) projectos do género não deixam qualquer espaço para a descoberta e afirmação de jovens talentos. Também nesta área o país está a fazer os devidos esforços para chegar pontualmente atrasado ao futuro&#8221;. O que mudou entretanto e o que é preciso ainda mudar?</strong></p>
<p align="justify">
<p align="justify">A área dos novos media evolui, claro, mas muito lentamente em comparação com países tecnologicamente mais avançados. Há pouca capacidade de empreendimento e de risco (um problema que se estende a múltiplas áreas da economia nacional), e muito menos se aposta na investigação e desenvolvimento. No campo mais específico dos media noticiosos, a evolução foi ainda mais lenta. Continuamos a chegar pontualmente atrasados ao futuro que outros já conquistaram. Ainda hoje o mercado de emprego no ciberjornalismo, por exemplo, é diminuto. Em paralelo, a qualidade geral dos sites é muito fraca e  paupérrima nalguns casos de órgãos de comunicação de expansão nacional. È preciso mudar quase tudo: modelos de negócio, hierarquias, modos de funcionamento, estratégias empresariais, formação, políticas de contratação. Mas nada disto é fácil de fazer num país pequeno, com um mercado de media pouco competitivo e estrangulado por falta de escala nas audiências e nas receitas.</p>
<p align="justify"><strong> </strong></p>
<p align="justify"><strong>E como será daqui a 10 anos?</strong></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">Estaremos melhor, sem dúvida. Mas os outros, nessa altura, já estarão dez anos à nossa frente<span style="font-size: 12pt; line-height: 115%; font-family: &quot;Times New Roman&quot;;">.</span></p>
<p class="MsoNormal" align="justify">
<p class="MsoNormal" align="justify">Leiam o blog de Hélder Bastos em <a href="http://travessiasdigitais.blogspot.com/" target="_blank"> http://travessiasdigitais.blogspot.com/</a></p>



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		<title>António Granado</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 12:37:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Gamela</dc:creator>
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		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[antónio granado]]></category>
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		<description><![CDATA[ <strong>António Granado é o editor da edição online do jornal Público. Nesta pequena entrevista falámos obre as suas perspectivas sobre o jornalismo online, um assunto de que ele trata no seu blog PontoMedia. </strong> 


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<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" src="http://olago.files.wordpress.com/2007/11/2agranado.gif" alt="2agranado.gif" hspace="5" vspace="5" width="114" height="131" align="left" /><strong>António Granado é o editor da edição online do jornal <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://publico.pt/">Público</a></span>. Eles têm estado sempre na vanguarda das novas tecnologias, e recentemente criaram uma equipa de vídeo e fizeram uma renovação gráfica no site do jornal.</strong><br />
<strong>Nesta pequena entrevista falámos com um ocupadíssimo António Granado sobre as suas perspectivas sobre o jornalismo online, um assunto de que ele trata no seu blog <span style="text-decoration: underline;"><a href="http://ciberjornalismo.com/pontomedia/">PontoMedia</a></span>. António Granado dá também aulas na Universidade nova de Lisboa, e é uma das principais vozes em Portugal na discussão dos novos media.</strong><span id="more-53"></span></p>
<p style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>Qual é a situação do jornalismo online em Portugal? Existe?</strong></p>
<p align="justify">O jornalismo online em Portugal está a dar os seus primeiros passos. O investimento nesta área ainda é residual e os média começam agora a olhar com outros olhos para as possibilidades que a Internet lhes abre.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>O Público foi o primeiro jornal de referência a investir na sua presença na Internet. Que mudanças é que estão a decorrer ao nível do jornalismo digital?</strong></p>
<p align="justify">O PÚBLICO estreia hoje (19 de Novembro) vídeos no seu website e criou uma equipa de cinco pessoas para os fazer. Vamos alterar também a nossa homepage para dar destaque aos vídeos e passaremos a apostar mais nas imagens e nas infografias. O canal de Economia passou a ser assegurado em permanência pelos jornalistas da Economia, um primeiro passo para a necessária mudança no sentido correcto.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Que tipo de público é que lê a edição online do jornal?</strong></p>
<p align="justify">Não temos estudos que nos permitam perceber quem são exactamente os leitores do <a href="http://p%c3%bablico.pt/" target="_blank">Público.pt</a>. Qualquer coisa que eu dissesse, estava apenas dar opiniões e não a apresentar factos.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Como professor, acha que preparação dada aos alunos de Jornalismo nas Universidades tem em conta as novas realidades?</strong></p>
<p align="justify">É evidente que a maioria das universidades não está a preparar os estudantes para as novas realidades. A título de exemplo, ainda se faz uma divisão entre o ensino do jornalismo escrito, radiofónico e televisivo, uma aproximação tipo século XX, já desactualizada.</p>
<p align="center"><img src="http://olago.files.wordpress.com/2007/11/3agranado.gif" alt="3agranado.gif" /></p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Os jornalistas portugueses, no geral, estão preparados para os novos media?</strong></p>
<p align="justify">Os jornalistas portugueses não estão preparados para os novos média, porque os novos média estão a entrar muito devagar nas redacções e, às vezes, da pior maneira. É preciso treinar os jornalistas para as tarefas que o novo jornalismo exige, é preciso fazê-lo com o apoio dos jornalistas e não contra eles. Em muitos sítios isto não está a ser feito.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Há já um jornalismo de participação, ou citizen journalism em Portugal?</strong></p>
<p align="justify">Penso que não há ainda jornalismo participativo em Portugal.</p>
<p align="justify"><strong>Há alguns anos atrás houve quem dissesse que não havia futuro nas publicações online. Este ano o director do El País disse que se abrisse o jornal agora seria apenas na versão digital. Que tipo de mentalidade existe no mercado editorial português e o que é preciso mudar?</strong></p>
<p align="justify">A mentalidade é retrógrada. Há ainda muito medo do digital. Não se põem notícias online para não “queimar” as cachas do papel, não se investe no multimédia porque, no fundo, as pessoas ainda acham que, se calhar, a crise dos jornais não veio para ficar. É preciso mudar a atitude dos gestores perante o multimédia (os pequenos avanços não chegam, é preciso passos muito maiores); é preciso mudar a mentalidade dos responsáveis dos jornais, que não podem continuar a achar que uma notícia dura 24 horas; é preciso mudar a mentalidade dos jornalistas, que têm de perceber que a sua missão principal é informar seja de que forma for e não vender jornais no dia seguinte aos acontecimentos.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>Os jornalistas têm uma imagem muito forte de si, talvez comparável à dos médicos, por existir uma noção ou sensação de poder. O que é que acontece a esta imagem do jornalista com a participação do leitor? O jornalismo do cidadão é realmente jornalismo?</strong></p>
<p align="justify">O jornalista tem de se habituar à participação dos leitores. Jay Rosen chama-lhes “the people formerly known as the audience”, porque agora podem e querem participar mais no processo noticioso. Os jornalistas têm de perceber esta mudança radical e adaptar-se a ela. O jornalismo cidadão por vezes é, e por vezes não é, jornalismo. Como todos nós sabemos, também há jornalismo que não é jornalismo e que nos envergonha a todos.</p>
<p align="justify"><strong>Como é o jornalista do futuro?</strong></p>
<p align="justify">O jornalista do futuro é alguém que consegue olhar para uma estória e contá-la da forma mais eficaz. Que se preocupa mais com os leitores e não tanto com as suas fontes.</p>
<p align="justify">
<p align="justify"><strong>E o leitor do futuro?</strong><img src="http://olago.files.wordpress.com/2007/11/1agranado.gif" alt="1agranado.gif" hspace="5" vspace="5" align="right" /></p>
<p align="justify">O leitor do futuro é o leitor do presente. “Sabe mais do que eu”, como diz Dan Gillmor. Quer e pode participar mais. Não se contenta com texto. Quer as notícias de imediato, na plataforma que está a utilizar e não em qualquer outra que lhe queiram impor.</p>
<p align="justify">
<p class="MsoNormal" align="justify"><strong>O cenário do jornalismo online português pode parecer desolador, mas as mudanças são inevitáveis. Os velhos hábitos custam a desaparecer, e a situação em Portugal é igual à de tantos outros países. É um processo lento que precisa de ser feito, como diz o António Granado, “com o apoio dos jornalistas e não contra eles”</strong></p>
<p class="MsoNormal">



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		<title>SuperMedia: Entrevista com Charlie Beckett</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 12:21:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Gamela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[featured]]></category>
		<category><![CDATA[charlie beckett]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[supermedia]]></category>

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		<description><![CDATA[<strong>“Este livro é o meu manifesto para os media como jornalista e também como cidadão do mundo. Como jornalistas estamos sempre a ouvir dizer como os meios de comunicação têm um poder enorme para moldar a sociedade e acontecimentos, para mudar vidas e a história. Então porque é que a nossa sociedade é tão descuidada em relação ao futuro do jornalismo?” Charlie Beckett fala do seu novo livro “SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World”.</strong>


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			</a>
		</div>
<p><strong>“Este livro é o meu manifesto para os media como jornalista e também como cidadão do mundo. Como jornalistas estamos sempre a ouvir dizer como os meios de comunicação têm um poder enorme para moldar a sociedade e acontecimentos, para mudar vidas e a história. Então porque é que a nossa sociedade é tão descuidada em relação ao futuro do jornalismo?”</strong></p>
<p><span id="more-48"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1405179236,descCd-description.html" target="_blank"><img class="alignleft" style="margin: 10px; float: left;" src="http://www.polismedia.org/System/aspx/GetImage.aspx?id=53" alt="Saving Journalism" hspace="0" vspace="0" width="224" height="341" align="right" /></a><strong>Esta é a apresentação que Charlie Beckett faz do seu livro “<span class="pullquotenew"><a href="http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1405179236.html"><em>SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World</em></a></span>”<span class="pullquotenew"> (Wiley-Blackwell, 2008 )</span>, onde questiona os principais desafios colocados à prática jornalística nos nossos dias, e a sua influência na manutenção de sociedades democráticas e livres. </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1405179236,descCd-authorInfo.html">Charlie Beckett</a> é jornalista, com 20 anos de carreira na BBC e na ITN, e é também Director do POLIS, um think tank sobre o jornalismo e sociedade na London School of Economics. “SuperMedia” é uma obra que vem compilar e estruturar várias linhas de pensamento sobre o futuro do Jornalismo, mas onde Charlie Beckett apresenta a sua ideia de jornalismo como um serviço essencial às sociedades contemporâneas, e como as mudanças na indústria de informação, para além de inevitáveis, são necessárias.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Coloquei algumas questões a Charlie Beckett sobre o seu livro, e com a ajuda de alguns excertos, vamos tentar perceber porque é tão importante salvar o jornalismo.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><em><span style="text-decoration: underline;">“Estimo que tenhamos cinco anos – talvez dez – para salvar o jornalismo para que o jornalismo possa salvar o mundo.”</span></em></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Porque é que o Jornalismo está em perigo? Para Beckett, as causas são uma “mistura de pressões económicas, repressão política ([em] sítios como África, Rússia etc) e a atenção do público a alternativas em novos média”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Os media tradicionais mantiveram inalterada a sua relação com o público nas últimas décadas, o que parecia resultar bastante bem, mas com o advento das novas tecnologias essa relação alterou-se, e a indústria das notícias parece estar a ter algumas dificuldades a adaptar-se às novas circunstâncias. Coloquei a Charlie Beckett uma questão que ele mesmo levantou no seu livro: “O que é que se passa de errado com o negócio dos média?” “É demasiado formalista, demasiado fechado, demasiado limitado.” De facto, as dificuldades e os receios aumentam no seio da indústria das “árvores mortas”: redução nos lucros, nas tiragens, no pessoal, e a dificuldade de muitos profissionais em abraçarem as novas formas de comunicação. Apesar de tudo, a função do jornalismo mantém-se: informar. E a circulação de informação em liberdade permite um maior conhecimento da realidade que nos rodeia, e a interagir mais eficazmente com ela. Mas durante muito tempo, o jornalismo assumiu um papel de mensageiro ao qual não se pediam contas.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">E qual é esse papel hoje em dia? “O Jornalismo tem muitos papéis: é entretenimento, vigilante, informador, fórum, mediador económico e mais. As sociedades com meios de comunicação abertos e prósperos parecem ser mais ricas e melhor ajustadas”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">No cerne do processo noticioso estão os jornalistas, uma classe mal vista pela maioria dos cidadãos. Sob uma perspectiva tão pessimista em relação ao papel que eles desempenham, perguntei se os jornalistas se tinham esquecido das suas responsabilidades: “Claro que não”, diz Beckett, “mas a prioridade do jornalista é fazer o seu trabalho em condições. Os jornalistas e as suas organizações devem considerar responsabilidades mais vastas, mas cada um vai defini-las de forma diferente. O Networked Jornalism permite ao público colaborar nessa definição e então partilhar as responsabilidades”.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Networked Jornalism – Jornalismo Interligado </span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O conceito apresentado por Charlie Beckett no seu livro é o de Networked Journalism, que se poderá traduzir por Jornalismo Interligado. Como ele explicou na BBC “ Os Networked Journalists partilham o processo noticioso com o público logo desde o início: da recolha de informação à sua distribuição, de forma activa, participativa.”<a name="_ftnref2" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 12pt;">[2]</span></span></span></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Em poucas palavras, Beckett descreveu-mo como uma “mudança profunda na prática jornalística que desafia as noções básicas do jornalismo tradicional. Sintetiza as funções de edição, reportagem e apresentação com muito maior envolvimento do público ao longo do processo.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Desde que tenha acesso a um computador ou um telemóvel, qualquer elemento do público pode colaborar com os jornalistas através do jornalismo do cidadão, wikis, blogs, e contribuir com conteúdos multimédia. Ou então, apenas recostar-se e apreciar os resultados desta colaboração. Isto implica novas perspectivas sobre a agenda noticiosa, e o seu alargamento, que aumenta com cada pessoa que participa. Esta sinergia pode recuperar a confiança pública no Jornalismo, e um aumento no conhecimento dos meios de comunicação sobre os seus públicos: “As pessoas estão cada vez mais cépticas [em relação ao Jornalismo] mas isso pode ser uma coisa positiva. Os Velhos Media não levavam o seu público a sério porque nunca foram ao seu encontro”. Mas a participação de amadores no processo jornalístico levantou a questão da qualidade dos conteúdos. Para Charlie Beckett esta questão não se aplica: “Existe muita porcaria nos media corporativos.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Outro dos assuntos mais discutidos é como os Novos media podem gerar receitas: “É uma pergunta demasiado difícil! Se soubesse a resposta estaria muito rico.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Temos assistido a exemplos práticos desta evolução: a rapidez como o terramoto de Sichuan foi reportado na net, a democratização de conteúdos multimédia, o desenvolvimento de redes sociais e comunidades virtuais, etc. Mas mais do que uma evolução tecnológica, o Networked Journalism é uma filosofia: “(…)é o regresso a algumas das mais velhas virtudes do jornalismo: pôr a redacção em contacto com o mundo; ouvir as pessoas; dar uma voz às pessoas nos media; entrar em diálogo com o público. Mas tem o potencial de ir mais longe do que isso na transformação da relação de poder entre os media e o público, e na reformulação os meios de produção jornalística”.<a name="_ftnref2" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftn2"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 10.5pt; font-family: DanteMT;"><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 10.5pt; font-family: DanteMT;">[3]</span></span></span></span></a></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Esta multiplicação de formas de comunicação implica que haja muito mais informação do que anteriormente, onde cada indivíduo se pode expressar seguindo a sua própria agenda. Disse a Charlie Beckett que a paisagem dos media parece um espelho partido, com diferentes plataformas em media diferentes, para públicos fragmentados usando diversas aplicações. “O que está errado com diversidade e diferença e distância? Geralmente uma maior participação pública promove uma maior expressão e mais conectividade.” Entre as pessoas, e entre os públicos e os meios de comunicação. Serão os novos órgãos de comunicação interligados os pólos agregadores de comunidades? “Sim – mas também poderão estar à margem ou fora das comunidades. O Networked Journalism funciona naturalmente melhor quando apoiado por grupos de pessoas, mas essas comunidades podem não ser geográficas.” A geografia que nos aproxima agora é a dos conceitos, dos gostos, das ideias.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">No seu livro, Beckett descreve longamente como os media interligados podem influenciar a consciência política dos cidadãos e dos media principais quando alertam para assuntos que normalmente ficariam escondidos debaixo da pilha noticiosa, que enche as redacções diariamente. O Networked Journalism permite uma reformulação da agenda informativa, abrindo espaço para notícias que são importantes para pequenas comunidades, ou para a sociedade em geral, mas das quais está alheada por não ter informação suficiente. O exemplo maior que Beckett usa é o continente africano: como é que sociedades com poucos recursos económicos, défices educacionais e democráticos, e uma baixa taxa de penetração de novas tecnologias pode beneficiar com o Networked Journalism? África não tem uma cobertura de Internet desenvolvida mas na maioria dos países há estruturas que permitem uma boa cobertura celular. A participação de vozes independentes na construção de uma imagem informativa de África, gerada longe das pressões governamentais, dá-nos de certeza perspectivas mais esclarecedoras do que a que nos é fornecida pelos media do aparelho de estado, ou por correspondentes que não podem chegar a todo o lado. Com a facilidade de disseminação de informação através de aparelhos móveis, África pode se tornar no perfeito campo de testes para o Networked Jornalism. “Não é o campo de testes perfeito. Eu digo que é o teste final, porque tantas vezes os velhos media falharam em África, que o Networked Journalism oferece uma nova oportunidade que pode ser baseada na própria experiência e capacidade africanas.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Mas será este um caminho sem riscos? O poder do Networked Journalism é o de influenciar as vidas das pessoas comuns, mas haverá perigos nesta forma de fazer as coisas? “E quem são as pessoas ‘comuns’? Eu honestamente não vejo perigos reais nas tendências dos novos media que não sejam comuns aos perigos postos pelos velhos media. As pessoas vão continuar a ser desonestas, parciais e gananciosas tanto online como offline, eu não penso que os novos media apresentem quaisquer novas ameaças comparados com os velhos media.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Os Hiper Jornalistas</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Há vantagens claras em abraçar os Novos Media: são baratos, rápidos, mais eficazes, e o seu potencial é quase infinito. No entanto, existe ainda muita desconfiança. “As pessoas resistem sempre à mudança. Os Novos Media implicam aprender truques novos. Alguns postos de trabalho vão desaparecer. E como desafiam os conceitos do velho Jornalismo, algumas pessoas acham-nos ameaçadores.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">E que procedimentos padrão deverão ter os novos jornalistas no seu dia a dia? “NÃO deverão haver procedimentos padrão. Isso é uma ideia antiquada.” No seu livro, Beckett defende que a versatilidade e capacidade de adaptação do jornalistas são as características mais importantes dos profissionais da comunicação do futuro, não só às novas tecnologias e características do mercado, mas também na sua relação com os utilizadores. Os jornalistas do futuro devem saber utilizar as redes sociais em seu favor, criar e distribuir as notícias em vários formatos, e saber gerir as contribuições dos utilizadores antes, durante e depois da publicação da informação.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Para Beckett, o “jornalismo gosta de pensar que é um super-herói quando na realidade é o Clark Kent”<a name="_ftnref4" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftn4"><span class="MsoFootnoteReference"><!--[if !supportFootnotes]--><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 12pt;">[4]</span></span><!--[endif]--></span></a>. Os super poderes do jornalista encontram-se na sua capacidade de colaborar com o público, mas isto não significa que o papel dos jornalistas se tornará mais precário: “O jornalista continua a ser necessário, porque precisamos de filtros, editores e apresentadores, mas eles vão ter também que se tornar facilitadores, conectores, possibilitadores. É um trabalho ainda mais complexo e interessante, e igualmente vital.” Este aumento na complexidade da prática jornalística torna o jornalismo mais fiável, melhor? Beckett pensa que “será tão fiável como as pessoas que o fazem. ‘Melhor’ é uma palavra muito subjectiva. Mas sim, acredito que a participação do público eleva os padrões por aumentar os recursos.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">A própria formação dos Hiper-Jornalistas para a realidade dos SuperMedia deverá ser “mais multi-especializada e mais dirigida para a resolução de problemas, para promover a arte de envolvimento criativo com o público, em vez de passar meses a copiar os jornalistas do passado.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Só que a relação dos jornalistas com elementos estranhos às redacções não tem sido fácil. Beckett debruçou-se extensivamente sobre a relação dos jornalistas com outra classe emergente, os bloggers, que parecem viver fora das regras impostas aos jornalistas, e que rapidamente se impuseram como distribuidores de informação. Terão os bloggers hoje em dia tantas responsabilidades como os jornalistas, e deverão eles ter o seu próprio código de conduta? Ou será a qualidade do seu trabalho a verdadeira reguladora dessa actividade? Beckett acha que os bloggers não precisam de um código ético: “A maioria dos jornalistas ignoram quaisquer códigos que possam ter. A garantia de qualidade ou fiabilidade assenta na diversidade, na responsabilidade, e isso vem com o Networked Journalism.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Aliás, todos nós podemos ser jornalistas. Para Beckett, jornalistas são “pessoas que informam, analisam, comentam eventos ou assuntos para outras pessoas consumirem.” E é nos cruzamentos destas relações que se cria a SuperMedia.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><strong><span style="text-decoration: underline;">O Desafio SuperMedia</span></strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">“Supermedia” é ela mesma uma obra interligada. Charlie Beckett recorreu às ideias de Paul Bradshaw, Jeff Jarvis, Jay Rosen e outros pensadores dos novos media – para além de referir personagens que activamente afectaram essa realidade – para fundamentar e desenvolver os seus próprios conceitos.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">O que sobressai é uma perspectiva optimista (pelo menos é o que me parece, apesar do pressuposto tenebroso sob o qual se apresenta), e fornece indicações práticas sobre como se podem e devem desenvolver os meios de comunicação, desde os corporativos aos pessoais. É uma obra fundamental numa época de transição e definição do que é o jornalismo, para que serve e para quem serve. Enriquecido com a perspectiva do autor sobre a importância social dos media, é o resumo perfeito de várias correntes de pensamento sobre quais caminhos a indústria e o público poderão seguir no futuro. Não é um livro complexo nos conceitos, mas nas suas implicações, e creio que se tornará num excelente guia para profissionais e estudantes de comunicação, para a compreensão de como se passa da uma comunicação de sentido único, corporativa e limitada, para uma outra, relacional, personalizada, comunitária. E as questões que levanta não terão necessariamente uma só resposta.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Acima de tudo, Beckett defende que a notícia é um serviço, não um produto, logo o interesse público está acima de todos os outros. É uma estranha forma de liberalização de algo que precisa de ser de todos e que deverá servir o bem comum.</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Como ele diz no livro, “o jornalismo pode ser uma força maior para o Bem”. Perguntei-lhe se essa “missão, caso a aceitemos”, é possível: “Claro que tudo é possível. Mas é uma escolha. Nós temos os media que criamos.”</p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">Podem comprar <em><strong>SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World</strong><em><span style="color: blue;"> </span></em></em><span style="color: #888888;"><em><strong><span style="text-decoration: underline;"><span style="font-style: normal;">aqui</span></span></strong></em></span>, ou fazer o download <strong><a href="http://www.polismedia.org/publications/savingjournalism.aspx" target="_blank">dos três primeiros capítulos no site do POLIS</a>.</strong></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;">
<p><!--[if !supportFootnotes]--></p>
<hr /><!--[endif]--></p>
<div id="ftn1">
<p class="MsoFootnoteText">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn1" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftnref1"><span class="MsoFootnoteReference"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 10pt;">[1]</span></span><!--[endif]--></span></a> Beckett,  <span class="pullquotenew"><a href="http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1405179236.html"><em><span>SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World</span></em></a></span><span class="pullquotenew"><span> (Wiley-Blackwell, 2008 )</span></span><a name="_ftn1" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftnref1"></a></p>
<p class="MsoFootnoteText">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn2" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftnref2"><span class="MsoFootnoteReference"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 10pt;">[2]</span></span></span></a> em entrevista ao programa de rádio Night Waves da  BBC3, 2 de Junho 2008<a name="_ftn2" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftnref2"></a></p>
</div>
<p class="MsoFootnoteText">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn3" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftnref3"><span class="MsoFootnoteReference"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 10pt;">[3]</span></span><!--[endif]--></span></a> Beckett,  <span class="pullquotenew"><a href="http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1405179236.html"><em><span>SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World</span></em></a></span><span class="pullquotenew"><span> (Wiley-Blackwell, 2008 )</span></span></p>
<p class="MsoFootnoteText">
<p class="MsoFootnoteText"><a name="_ftn4" href="http://olago.wordpress.com/2008/06/12/supermedia-entrevista-com-charlie-beckett/#_ftnref4"><span class="MsoFootnoteReference"><span class="MsoFootnoteReference"><span style="font-size: 10pt;">[4]</span></span><!--[endif]--></span></a> Beckett,  <span class="pullquotenew"><a href="http://eu.wiley.com/WileyCDA/WileyTitle/productCd-1405179236.html"><em><span>SuperMedia: Saving Journalism So It Can Save The World</span></em></a></span><span class="pullquotenew"><span> (Wiley-Blackwell, 2008 )</span></span></p>
<p class="MsoFootnoteText">



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		<title>Entrevista com Dave Cohn</title>
		<link>http://www.alexgamela.com/2008/07/entrevista-com-dave-cohn/</link>
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		<pubDate>Tue, 29 Jul 2008 20:03:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alexandre Gamela</dc:creator>
				<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[headline]]></category>
		<category><![CDATA[crowdfunding]]></category>
		<category><![CDATA[dave cohn]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
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		<description><![CDATA[<strong>Dave Cohn é o fundador do Spot.us, um projecto sem fins lucrativos e baseado em jornalismo financiado pela comunidade. Esta sugestão para um novo modelo de negócio valeu-lhe uma bolsa da Knight News Challenge. Na véspera de lançar o site oficial do Spot.us, falei com o Dave como é que ele ia pôr as suas ideias em prática, e quais são as suas perspectivas sobre o presente estado do jornalismo. <br />“Eu sou um empreendedor, unicamente interessado nas questões do jornalismo.O que me apaixona e motiva é tentar perceber como é que o jornalismo pode continuar a prosperar, apesar da morte das suas instituições. Por isso sou um jornalista/empreendedor no sentido em que estou a tentar ver como o jornalismo se pode repensar e redefinir para que consiga continuar.”</blockquote></p><strong>


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			<content:encoded><![CDATA[<div class="tweetmeme_button" style="float: right; margin-left: 10px;">
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			</a>
		</div>
<p style="text-align: justify;"><strong>Dave Cohn é o fundador do <a href="http://spot.us/" target="_blank">Spot.us</a>, um projecto sem fins lucrativos e baseado em jornalismo financiado pela comunidade. Esta sugestão para um novo modelo de negócio valeu-lhe uma bolsa da <a href="http://newschallenge.org/spot_journalism" target="_blank">Knight News Challenge</a>. Na véspera de lançar o site oficial do Spot.us, falei com o Dave como é que ele ia pôr as suas ideias em prática, e quais são as suas perspectivas sobre o presente estado do jornalismo. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><span id="more-9"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Quatro meses depois de ter ganho a bolsa da KNC, Dave Cohn é um homem satisfeito. Ele começou apenas com um wiki, onde apresentou e testou as diversas vertentes do seu projecto, e rapidamente conseguiu financiar três reportagens, e neste momento está prestes a financiar uma quarta. Tudo isto ainda antes de ter um site oficial.</p>
<p style="text-align: justify;">A forma como o Spot.us funciona é muito simples: alguém &#8211; um jornalista, um cidadão, uma comunidade &#8211; propõe um tema para ser investigado jornalisticamente; a reportagem é aberta a financiamento, e quem quiser pode contribuir com uma pequena quantia; se o valor alvo for atingido, um jornalista investiga e escreve a história; e finalmente, é publicada.</p>
<p style="text-align: justify;">Até agora, este modelo tem funcionado:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Angariámos 3000 dólares de cerca de 100 doadores,  uma média de 33 dólares cada”</p></blockquote>
<h3 style="text-align: justify;"><strong>“É como poesia digital”</strong></h3>
<p style="text-align: justify;">Dave Cohn tem dado a sua contribuição para o jornalismo em rede há já algum tempo, trabalhando com pessoas como Jay Rosen e Jeff Jarvis.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele tem fortes convicções sobre as possiblidades trazidas para o jornalismo pela web, no imenso poder das comunidades, e também numa mudança de atitude por parte dos jornalistas.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Os jornalistas e o jornalismo são uma diáspora hoje em dia, fomos de certa maneira enxotados da pátria dos jornais, e precisamos de perceber para onde é que podemos ir a partir daqui.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Apesar de ter reflectido durante muito tempo sobre estas questões, o conceito subjacente ao Spot.us é bastante recente para ele:  “Eu estou a trabalhar na ideia do Spot.us há pouco mais de um ano.”</p>
<p style="text-align: justify;">Pode parecer que é simples, mas a tarefa de construir uma plataforma tem sido complexa.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Construir um website é em geral complexo, e isto também é construir uma organização. Tenho que me lembrar que é sem fins lucrativos, por isso existe um enquadramento por detrás, que é novo para mim”.</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Mas Dave Cohn está entusiasmado:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Adoro cada minuto, porque é como se fosse poesia digital. Tenho a oportunidade de construir este website como o imaginei, e é claro que há situações que surgem e que me obrigam a apagar alguns fogos e fazer certas coisas, mas que fazem todas parte deste processo, de, novamente, poesia digital.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">E quem pode participar? Spot.us “não é uma organização noticiosa”, por isso ele diz que não esta interessado em contratar ninguém. É “um mercado, uma plataforma que os jornalistas independentes podem usar para financiarem  os seus projectos”.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“É para jornalistas freelance, e funciona proposta a proposta. Encorajamos toda a gente a fazer propostas, toda a gente que queira fazer isto profissionalmente.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">No entanto, ele anunciou recentemente que estava à procura de jornalistas e comunidades para trabalhar com ele.</p>
<p style="text-align: justify;">O projecto tem sido promovido de duas formas distintas: uma, mais tradicional e que conta com a colaboração de uma empresa de marketing. A outra baseia-se numa aproximação directa às comunidades organizadas:</p>
<blockquote style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">“Não se trata realmente de marketing, mas de colaborar com pessoas que já têm comunidades organizadas, e dizer:’Olhem, vocês são uma comunidade, têm investido interesse em alguma coisa, querem que seja tratada jornalisticamente por um jornalista profissional, qual é? Vamos descobrir então o que é e como é que um jornalista profissional pode fazer o trabalho.”</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">E que papel  Dave tem nisto tudo?</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Eu sou um empreendedor, unicamente interessado nas questões do jornalismo.O que me apaixona e motiva é tentar perceber como é que o jornalismo pode continuar a prosperar, apesar da morte das suas instituições. Por isso sou um jornalista/empreendedor no sentido em que estou a tentar ver como o jornalismo se pode repensar e redefinir para que consiga continuar.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">
<h3 style="text-align: justify;">Crowdfunding como um novo modelo de negócio</h3>
<p style="text-align: justify;">Um dos assuntos mais discutidos na blogosfera dedicada aos novos média é como encontrar um modelo de negócio sustentável para a indústria das notícias. O modelo de crowdfunding do Spot.us levantou algumas suspeitas sobre a possibilidade de que alguns grupos com uma agenda própria pudessem financiar reportagens específicas, deturpando assim o objectivo informativo do projecto, em comparação com uma suposta idoneidade dos media tradicionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Dave Cohn é muito claro:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Não existe tal coisa como dinheiro limpo. É um mito que o dinheiro dos jornais é limpo. E qualquer um que trabalhe em jornalismo sabe a história de um editor que interrompeu uma investigação porque teria posto em causa algum dinheiro em publicidade.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ele defende que o processo tem de ser transparente em todas as etapas, e mostrar  “de onde vem o dinheiro, limitar as doações.”</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, os nomes e a reputação dos profissionais envolvidos estariam em jogo &#8211; o jornalista que se propôs a escrever o artigo, o editor, e os média que vão publicar a história.</p>
<p style="text-align: justify;">Cohn acredita que o papel da comunidade é crucial e que tudo mudou assim que as pessoas tiveram acesso às novas ferramentas da web:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Talvez nos anos 60, organizar uma comunidade significava juntar um monte de pessoas e manifestarem-se, mas agora os jovens quando querem organizar uma comunidade criam média: criam um vídeo no YouTube, ou um movimento no Facebook.”</p>
<p>“E eu acredito que existirão cada vez mais projectos de jornalismo do cidadão com sucesso, e serão liderados por dirigentes cívicos ou comunitários, que assumiram essa responsabilidade e disseram: olhem, esta é um problema na minha comunidade, como é que posso resolvê-lo? Pomo-lo online, organiza-se online, ao criar média.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Uma das maiores alterações no paradigma informativo é a necessidade crescente &#8211; e a capacidade -  que as pessoas agora têm de exigir que assuntos que  lhes são próximos façam parte da agenda noticiosa. E isto levantou questões sobre a eficácia e o papel do jornalismo, e como servia essa necessidade.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“As pessoas têm uma séria necessidade de informação,” e “é isso que o jornalismo deveria fazer: servir a necessidade de informação das pessoas.”</p></blockquote>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Não é produzir um jornal. Um jornal é um produto acabado que é entregue à nossa porta. O que o jornalismo faz é informar as pessoas, e eu penso que as pessoas irão querer sempre informação, especialmente sobre as suas comunidades locais.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">E as pessoas podem exigir essa informação que as afecta a elas e às suas comunidades. Agora  que as comunidades têm maneira de se fazer ouvir, nada mais será como antes.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Enquanto estivermos ligados a uma localização geográfica vamos querer saber o que se passa no nosso sítio. E isso nunca desaparecerá, as pessoas querem informação, e com profundidade. ”</p></blockquote>
<h3 style="text-align: justify;">O Jornalismo em dificuldades</h3>
<p style="text-align: justify;">Dave Cohn  tem uma analogia para explicar o que mudou na relação entre os utilizadores e os média:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Se entrassem num restaurante e o empregado vos dissesse o que é que iriam comer ao jantar, vocês iam-se logo embora. Mas é assim que as notícias têm sido tradicionalmente distribuídas.”</p></blockquote>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Se olharmos historicamente, nós viemos de uma época em que  havia uma comunicação do topo para a base, por isso fazia sentido: aqui estão as notícias, aqui está o que é importante.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Hoje as pessoas podem pedir a informação que querem do vasto menu que é a web, e a definição do que é notícia ou não já não é decidida por um grupo restrito de pessoas.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Tradicionalmente, 0.001% da população é que determinava a agenda noticiosa, e esses eram chamados de editores, e a razão pela qual eles podia determinar a agenda de informação é que eles eram os único com um orçamento.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Cohn tem escrito e debatido longamente sobre o que é preciso ser feito para inovar e renovar a confiança nos média tradicionais. E para ele, as mudanças são de fundo:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“A forma como os orgãos de comunicação estão estruturados precisam de ser repensados ou reequipados, de forma a aumentar a capacidade de resposta, e a abertura. Mas a culpa não é deles, não é culpa de ninguém, porque vieram deste percurso histórico, que realmente passou à história: o que funcionou há 30 anos atrás já não funciona mais agora.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">A relação de confiança entre público e jornalistas também não tem sido muito estável. Perguntei a Dave Cohn se ele achava que a perspectiva do mundo dada pelos jornalistas era demasiado estreita. Ele diz que o problema não são os jornalistas.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Eu acredito fortemente que os jornalistas em geral, quando falamos com eles individualmente, são no geral boas pessoas, e têm fortes convicções. Eles fazem o que fazem porque acreditam nisso, e são apaixonados pelo que fazem. Individualmente, a visão dos jornalistas e repórteres não é demasiado estreita.”</p></blockquote>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Acho que o problema surge quando as instituições de que fazem parte &#8211; os jornais ou outras organizações noticiosas &#8211; estão estruturadas verticalmente, onde as ordens vêm de cima, e os indivíduos não podem tomar decisões na hora, e isso levou-as a serem algo limitadas, ou incapazes de se articular rapidamente, ou em resposta à comunidade, que agora tem uma voz com a internet.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Apesar de ser um crítico em relação à lenta evolução dos média tradicionais, Dave Cohn não é um extremista:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Penso que muitas vezes no debate sobre os novos e os media tradicionais pomos demasiadas vezes as coisas a preto e branco. É sempre mais complicado do que isso.”</p></blockquote>
<h3 style="text-align: justify;">O futuro e alguns conselhos</h3>
<p style="text-align: justify;">Para já, o Spot.us está sedeado na zona da baía de S.Francisco. Mas Dave Cohn está interessado em expandir o seu projecto para outras regiões e cidades como Nova Iorque, Los Angeles ou Seattle, enquanto vai sondando a aceitação que o projecto pode ter noutros países.</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“O código da aplicação web é open source, por isso eu ficaria muito satisfeito e honrado se o quiserem usar no vosso próprio país. Eu quero que as pessoas peguem nisto, levem-no e usem-no na sua própria cidade.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">E aqueles que querem lançar-se por conta própria, como ele fez?</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Comecem pequeno, sejam realistas, e repitam.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ele reforça a ideia que o poder não está na tecnologia mas nas pessoas: “A comunidade ganha à tecnologia em qualquer altura.”</p>
<p style="text-align: justify;">Esse é  espírito por detrás do trabalho de Dave Cohn. Ele dá mais um conselho, tanto para jornalistas como para empreendedores:</p>
<blockquote style="text-align: justify;"><p>“Tenham paixão.”</p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">E ele sabe do que é que está a falar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Entrevista em video &#8211; Primeira parte</strong></p>
<p><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="100" height="100" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="play" value="false" /><param name="loop" value="false" /><param name="src" value="http://pixelrevolt.blip.tv/file/1341185/" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="100" height="100" src="http://pixelrevolt.blip.tv/file/1341185/" loop="false" play="false"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: right;">
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