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Entrevista: Twitter e a liberdade de expressão dos jornalistas

Parece que é aquela altura do ano em que os estudantes universitários são obrigados a fazer trabalhos e decidem recorrer a tipos como eu para lhes dar pérolas de sabedoria, o que prova que esta juventude está perdida e eu ajudei a contribuir para isso. Desta vez foi a Mariana Branco, aluna de Comunicação Social em Coimbra (vou apostar aqui que é no ISMT, depois de uma pesquisa na net) que me pediu para comentar uns tópicos sobre o Twitter e principalmente sobre a liberdade que os jornalistas têm em expressar a sua opinião pessoal nas redes sociais.

– Redes sociais enquanto jornalismo participativo;

 

As redes sociais são uma evolução na possibilidade que a internet trouxe em dar aos utilizadores um papel mais activo no processo de criação e produção de conteúdos, jornalísticos ou não. Nas redes, mais do que a criação, é a partilha que se torna predominante. Ao termos um canal pessoal onde podemos veicular a realidade que nos rodeia do ponto de vista individual e ao mesmo tempo inseridos numa comunidade que vive ou está interessada nessa realidade, toda a informação ganha um peso enorme. Podemos verificar isso nas recentes revoluções no mundo árabe, onde grande parte da informação era constituída por fragmentos que juntos dão um quadro bastante abrangente da situação que se viveu.

Mas acima de tudo as redes são precisamente isso, um canal, e não uma prática. As redes sociais são um espaço onde a informação e as pessoas interagem de uma forma e a uma velocidade e volumes nunca antes vistos, mas uma multidão de pessoas numa sala a dar o seu depoimento ao mesmo tempo não é jornalismo. Há pessoas não consideradas como jornalistas que criam conteúdos seguindo procedimentos jornalísticos, mas a grande maioria tem apenas valor como testemunha e participante dos acontecimentos.

Há condições e potencial enormes para o jornalismo participativo nas redes sociais, como se tem visto nos últimos anos, mas é preciso saber identificar o que é testemunho pessoal e o que é jornalismo. E como disse, jornalismo é uma prática, e as redes sociais são um canal intenso de partilha de informação e interacção, logo encarar as redes  sociais enquanto jornalismo participativo é uma má premissa, devendo-se partir do princípio das redes como um espaço fulcral para o jornalismo participativo nos dias de hoje.

 

– Twitter como fonte credível, noticiosa;

 

Qualquer fonte deve ser verificada, contrastada, questionada na sua credibilidade. É um princípio básico do jornalismo, seja com uma testemunha no local do evento que se entrevista cara a cara, seja com uma fonte dentro de uma instituição, seja no Twitter. Existem procedimentos próprios para avaliar essa credibilidade das fontes online. É uma fonte tão credível como outra.

 

– A importância do Twitter para um jornalista;

 

O Twitter pode ser usado de várias formas por um jornalista, mas especialmente para recolher informação junto de instituições e personalidades que o usem, sendo também um canal mais ou menos informal de relacionamento com essas entidades e o seu público. É uma ferramenta de recolha e de análise informativa em tempo real porque quando algo de importante acontece nota-se logo, dependendo obviamente da rede de contactos que se tem.

É também um excelente canal de interacção entre o jornalista e o seu público, e mais um ponto de contacto para além do email pessoal, mais sucinto e directo.

O Twitter ao ser um rio de informação pode ser uma excelente ferramenta de recolha e pesquisa de informação, já que pode entrar directamente em contacto com um utilizador que esteja no local do evento que se quer cobrir, e questioná-lo directamente de forma imediata, algo que antes não seria possível. Imaginem que há um incêndio no Louvre: a partir de Portugal pode-se ter acesso ao testemunho, apoiado por imagens ou áudio, de alguém no local, nos momentos imediatos à divulgação dessa informação. No caso do avião do Rio Hudson em 2008 a notícia espalhou-se ainda antes do avião ter amarado, e as primeiras fotos espalharam-se rapidamente pelo mundo inteiro 15 minutos depois do primeiro tweet. Por isso o Twitter tem tanta importância para um jornalista como um carro, só tem utilidade se for bem usado.

 

– Opinião jornalística no Twitter (ou outra rede social) , isto é, será o jornalista livre de expressar o que pensa, revelar a sua opinião pessoal, revelar partidos sem que isso comprometa a sua vida profissional? Será o jornalista livre de expressar o que sente numa rede social? Terá apenas que divulgar a informação “nua e crua”, sem direito a opinião já fora da “zona de conforto” profissional?

 

Uma das questões mais importantes levantadas pelas redes sociais tem sido essa, a distinção entre o profissional e o pessoal, mas creio que se trata de uma falsa questão, as perspectivas poliíticas e pessoais são muitas vezes assumidas nas perguntas que se fazem numa entrevista ou na forma como se descreve um acontecimento, é uma questão baseada no mito da imparcialidade. Os jornalistas são as pessoas com mais opiniões à face da terra,e ainda bem, porque têm que reflectir sobre a quantidade de informação a que têm acesso e são acima de tudo humanos, contrariamente ao que muitos pensam. Têm é que ter mais cuidado na forma como expressam as suas opiniões em público já que lhes pode causar dificuldades ou desconfiança por parte das instituições com que tem que lidar e do seu público.

Por exemplo, um jornalista que se assuma como adepto de um clube e que passe a vida a falar mal de outros clubes, ou especialmente do presidente de um, pode ter problemas na relação de repórter com o objecto da notícia caso venha a entrevistar esse presidente, ou com os adeptos desse clube porque podem pensar que estará a ser parcial. Mas até pode beneficiar disso, o mais importante é que no seu trabalho cumpra com a sua parcialidade para com a verdade e o seu público. E isso é um ponto importante, os jornalistas com as redes sociais criam o seu próprio público por serem quem são e não apenas um porta-voz de uma publicação. As redes e as comunidades criam-se não só através do contacto profissional mas também por aquilo que as pessoas são, não se pode é cair em exageros.

O que defendo é que os jornalistas têm que saber definir quando é que falam em nome próprio ou em nome da publicação, sem se desvirtuarem como indivíduos e cidadãos, e que saibam  e estejam dispostos a arcar com as consequências disso, porque se começam logo por ter medo de mostrar a sua opinião pessoal ou não a sabem demonstrar convenientemente não servem para uma profissão que do ponto de vista pessoal e de princípios é muito desgastante e exigente. E como disse antes, todos os jornalistas têm opiniões, se dizem o contrário é porque estão a mentir, e mentir não se coaduna com o objectivo da profissão, por mais que isso aconteça.

Com estes canais o grau de exposição e o risco são maiores mas acho que são benéficos porque o público passa a ver para além da marca e da figura mitológica para o ser humano, termo que com algumas pessoas pode ser usado num sentido muito lato.

Mobile: the social network button

facebookphone.jpg
Facebook on speed dial

There have been some rumours for a while now about a  Facebook phone. No need for that. Phone companies and carriers are on top of the situation and already providing solutions for their mobile clients (just clients would do).

In a world where mobility and social networking are top priorities, it was just a matter of time until mobile devices integrated Facebook as one of their basic features.  The announcement of  phones with a Facebook branding is not a surprise, and I believe millions will appreciate that.

I made a prediction some time ago about integrating social networking in mobile phones. I just didn’t get the network right, because I wasn’t on Facebook then.

Going where the people are and satisfy their needs is the best strategy for any company. Would you buy a Facebook phone?

Click here to find out more!

Twitter Button
my failed prediction

Facebook Could Change Telephones Forever

MWC: New HTC phones get Facebook on speed dial


Working with a newspaper’s communities | A trabalhar com as comunidades do JN

Nós na Rede

It’s been in fact for a few months now, but since yesterday i am officially working with Jornal de Notícias‘ online communities. We want to have more of an active, dynamic group of real people than just a high number of followers.

You’ll see me working both Twitter and Facebook accounts with a team of enthusiastic people who know what social networking is. If you want to know what kind of work is that we are supposed to do, here’s a good post about that.

You can follow JN through both accounts and you can also read the blog dedicated to the communities activities.

The goal is to bring people into the life of the newspaper that is part of their lives.

Join us and participate.

Já é  na verdade há alguns meses, mas ontem iniciei formalmente a minha colaboração nas redes sociais online do Jornal de Notícias. Queremos ter um grupo dinâmico de pessoas reais e não apenas um elevado número de followers.

Irei trabalhar tanto no Twitter como no Facebook com uma equipa entusiástica e que sabe o que é estar nas redes sociais. Se quiserem perceber melhor que tipo de trabalho vamos desenvolver, está aqui um post que explica isso.

Podem seguir o JN em ambas as redes e podem ler também o blog dedicado às actividades das comunidades online.

O objectivo é fazer com que as pessoas façam parte da vida do jornal que faz parte das suas vidas.

Juntem-se a nós e participem.

The Madeira Floods: GoogleMaps, GoogleDocs, Twitter and community

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Last weekend’s floods in Madeira became a case study on the role of social media and common citizens in spreading news and data in case of disaster. I’ll be writing a few posts about some things I did to help cover the event, and how traditional media was left far behind in the stream of information. Again.

The Event

Saturday, 20th February. Madeira island is hit by a storm, raining more in two hours than in a whole month. Waves of mud drag rocks, houses and cars down the hills, ending up in downtown Funchal where the rivers meet, flooding buildings, and swallowing whoever failed to escape the fury of the waters.  Twitter was hectic with accounts of destruction, questions about what was going on, and, maybe a sign to take in consideration, videos. The traditional media was slow to respond: besides a few breaking news stories in some news websites, there wasn’t much for the information starved users. If you wanted to know what was going on you had to follow the #tempmad hashtag, fed by descriptions of locals that witnessed tragedy unfold right on their doorstep.

Lots of links to YouTube started to appear in the timeline – there were NO photos available in the first hours, and pictures wouldn’t make any justice to the dimension of the disaster. Video was the first instinct for the majority of users – and there was constant retweeting of the scarce information available, most of it provided by one user, @lindamachado, that became the main figure in the eye of the Twitter storm. But besides Twitter, there were no news to be found anywhere else. Portuguese public cable news channel was the only main media trying to do a coverage of the events, resourcing to – guess what? – Twitter, my map (i’ll talk about it in a bit), YouTube videos, and phone interviews, that were hard to make because the storm disrupted the service in many parts of the island.

We have to look at the specific circumstance that allowed social networks to become the main source and channel for all the news about the flood: it was Saturday, shortly after lunch. People had free time, they didn’t have to go to work, and the newsrooms were in weekend mode, which means even more understaffed. To tell you the truth, for most televisions and newspapers, real coverage began on Monday. Until night news around dinner time, there was almost no new data  about the tragedy in mainstream media, while was starting to gain unforeseen proportions.

Google maps and docs

When I saw the first tweets i immediately thought about creating a Google map to aggregate some information and videos, so people could see all the available information that was getting diluted in the Twitter stream (it’s the map above). All i had to do was to fish for YouTube links and relevant info, and asked users following  #tempmad to contribute. Although in the beginning i didn’t have many contributions, the map generated lots of interest: it showed up and was referenced in the public national TV live coverage, and it was embedded in two major newspaper websites. In the first hours it had more than 10.000 views, reaching 30.000 in the first 48 hours. This proves how huge was the demand for information that traditional media weren’t able to provide.

Then i noticed there was a website created on Netvibes that was also trying to gather all the scattered information on twitter, other websites and forums. I joined efforts with the author of the website, a process i’ll explain in a different post, and added my map to the website. Recently, i added a few more features using mapping tools and google forms and docs.

Since there was a problem with the number of victims (bodies keep showing up but the numbers are going down) we decided to ask the community to report the deaths they knew. For that I built a small form, to cross-reference with the official data. It took 5 minutes to set up the form, and feed the results into the page. I also wanted to use a map for the official results, and i created a new one, based on a spreadsheet. Every time the number changes, all we have to do is to edit the spreadsheet, instead of a live edit on GoogleMaps. What i’ll try to do is to layer the different information in one single map, if you have any ideas to do that let me know.

Another novelty I read about yesterday and just had to use, was the Umapper feature that allows to get tweets from a specific location. I used it to show tweets with #tempmad from Madeira, as you can see below:

With the perspective of more rain for this weekend this map might come in handy to visualize the ongoing events.

This series will continue with the analysis of the work of an improvised team. Stay tuned.

Portuguese Journalists on Twitter and @JayRosen_nyu’s List | Jornalistas Portugueses no Twitter e a Lista de Rosen

Who are the top portuguese journalists on Twitter? Who is more popular, chatty or has a better following/follower relation? Tireless João Simão, teacher at UTAD (by the way, check his new project of live video interviews using Twitter) did an analisys on who are the journalists on Twitter, using data from TwitterPortugal, and came up with a top 25 list.

It’s a nice crowd, and you should be following at least some of them.

Quem são os jornalistas portugueses que estão no Twitter? quem é mais popular, falador ou tem uma melhor relação seguidores/seguidor? O incansável João Simão da UTAD (já agora, vejam o seu novo projecto de entrevistas video em directo usando o Twitter) fez uma análise dos jornalistas no Twitter usando dados do TwitterPortugal, e criou um top 25.

É um grupo porreiro e deviam seguir pelo menos alguns deles.

Know anyone? | Conhecem alguém?
Know anyone? | Conhecem alguém?

After this analisys was published i got a whole new batch of followers (thank you all), but my major source of tweeple lately has been Jay Rosen’s “600” list. I recommend it to everyone who is looking for media related tweets.

(shameless self promotion moment, so sorry for that…)

Depois desta análise ter sido publicada ganhei um monte de followers (obrigado a todos), mas a minha maior fonte de seguidores nos últimos tempos tem sido a lista dos “600” de Jay Rosen. Recomendo-a a quem quer tweets relacionados com media.

(momento desavergonhado de auto-promoção, as minhas desculpas…)

The "600"...well, some... |  Os "600"...bem, alguns...
The "600"...well, some... | Os "600"...bem, alguns...