Tag Archives: snowfall

Best Interactive Stories: Maps, Graphs, Timelines & Scrollers

The Visual.ly blog made a list of the Top interactive visualizations of  2013. The formats are pretty much the same as in years before: maps, data visualizations, timelines, but this year we have “snowfallers” which is to say scrollers or stories you have to scroll along to navigate.

If you’re interested in this type of structure, there is a spreadsheet with snowfall-like stories available on Google Drive. I doubt the Scroller will become a standard narrative structure, because it doesn’t feel mobile friendly, which in essence is more modular than linear.  But it definitely set a standard for production: lengthy and expensive.

But like David Sleight said:

But there’s a bigger picture that extends beyond debating specific executions and business models. These things are about experimentation: necessary design and technical experimentation, something news organizations need to shine at if they want to thrive. That means stopping to shake out how they think about content, again and again.

In Portugal, the setting is pretty much the same as before: only a couple of media companies are regularly producing multimedia journalistic content. This year the major winners of the ObCiber awards were the same as in previous editions: Jornal de Notícias, Público and Rádio Renascença.

Some narrative devices are pretty much well established by now, but there’s still no norm. And that won’t be defined by the end product, but by the investment in production processes.

 

 

Firestorm – Guardian’s latest multimedia project

 

After the Snowfall, now a Firestorm. The Guardian produced a multimedia narrative about bushfires in Tasmania, in a multichapter immersive narrative. It’s well built, it leads towards a more linear narrative, but then again, they have an ebook as an end product.

Best features: the background audio provides an effective sensorial experience, and the large images under the minimalistic text have a huge impact, behaving both as background and illustration. If you want to know more about the production process, this post at Journalism.co.uk has some great insights from the team that built Firestorm:

At the same time, Jonathan Richards, the Guardian’s interactive editor, was evaluating what would be needed to create “rich article pages” incorporating all the available media at their disposal.

“There was, I guess, an appetite to see how you might integrate those media, ie the visual and audio media, in a much more tightly integrated way,” said Richards. “So rather than doing things that would simply supplement a text page, how could they perform a more compelling and stronger function in the interactive and I guess that was the challenge that we set ourselves.”

As such, the media was conceived differently right from the start, said Richards. So instead of talking heads and general views of the area, they needed something to cater more specifically to the project’s needs: images and footage that would complement and supplement the traditional storytelling forms.

A must see story.

FIRESTORM, The Guardian

How they made Snow Fall

 

I had been waiting for this for some time now: the step by step explanation of the development of NY Times most successful and attention grabbing multimedia narrative Snow Fall.  I wrote about the resources that were applied to this (in Portuguese), and how they may seem excessive both in the number of people involved and production time, assets newsrooms don’t have.

Though I believe there is a risk this type of narratives will only happen sporadically, and created only in digital minded newsrooms with huge resources – smaller teams need to learn how to produce consistently multimedia interactive stories, using their own scarce resources (when they turn to this mindset, I mean) – this is  a great walk-through into Oz, i.e., the process of creating Snow Fall at the NY Times newsroom, from which we can draw our own conclusions about what modern news reporting is all about. Or should be.

Q. There’s a ton of audio and moving-image work in Snow Fall, and you used a lot of techniques from filmmaking, but within a very reading-centric experience. What kind of challenges did those elements present?

Catherine Spangler, Video Journalist: The challenges of crafting multimedia to complement a text-based story were the same challenges faced in any storytelling endeavor. We focused on the pacing, narrative tension and story arc—all while ensuring that each element gave the user a different experience of the story. The moving images provided a much-needed pause at critical moments in the text, adding a subtle atmospheric quality. The team often asked whether a video or piece of audio was adding value to the project, and we edited elements out that felt duplicative. Having a tight edit that slowly built the tension of the narrative was the overall goal.

How we made Snow Fall, Source

Worth checking this Storify page to get an insight on this project

 

Snow Fall: o futuro e os meios de produção

 

screenshot.2
Snowfall, New York Times, 2012

 

Tem-se falado bastante da reportagem do New York Times “Snowfall“, muitas vezes pela perspectiva menos interessante. Uns dizem que é o futuro do jornalismo, outros dizem que não, e há quem ache que só naquela redacção é que se podia fazer um trabalho destes. Está toda a gente a exagerar.

Primeiro temos que ver a dimensão do trabalho:

-é uma reportagem que provavelmente não teria espaço numa publicação não-digital, mesmo numa revista (de tal maneira que foi feita uma edição em ebook);

-demorou seis meses a ser feita;

-ocupou uma equipa de 17 pessoas;

-usa video, áudio, aplicações interactivas para recriar o evento;

Vamos por partes, e começamos pelas mais chocantes para quem faz jornalismo.

Meios

Seis meses e 17 pessoas são recursos que a maioria das redacções não pode disponibilizar para uma reportagem.

A questão não está nas 17 pessoas mas o que faz cada uma delas: 12 estão creditadas no design e produção do projecto, 3 na parte de video, 1 na pesquisa adicional, e o jornalista que coordenou o projecto.

Muitos jornalistas disseram que isto é uma aberração, e eu concordo que parece ser, especialmente para quem vem do meio individualista do impresso. Olhando para a quantidade de pessoas que são precisas para fazer uma reportagem televisiva de fundo e colocá-la no ar, vemos que a proporção não deve ser muito diferente, entre o número de jornalistas e pessoal técnico que faz com que seja emitida, e mesmo o papel tinha gráficas inteiras com dezenas de pessoas e distribuidores para despachar o seu produto. É uma espécie de hipocrisia moldada pelos hábitos de produção, e uma visão redutora do processo de produção de informação.

A maior parte da equipa está relacionada com os apectos técnicos e visuais da reportagem, e se queremos ter histórias que se adequem ao meio  digital, temos que ter pessoas com as competências necessárias para as produzir.

Concordo que seis meses é muito tempo, mas se virmos a quantidade de fontes e dados necessários para abordar este assunto, vemos  que é um trabalho complexo. A colaboração de algumas entidades de investigação científica, que vivem fora da pressão de produção diária do jornalismo também pode ter ajudado a que a demora fosse maior.

Nem todas as histórias servem para reportagens deste tipo. É preciso que tenham um certo grau de intemporalidade e, que tenham a possibilidade de serem seguidas no futuro com novos conteúdos.

Um dos exemplos que dava nas minhas formações era a reportagem do Star Tribune “13 seconds in August“, realizada em 2007, que demorou também vários meses a ser produzida, com uma equipa grande também, e que ainda hoje tem espaço na publicação com actualizações sobre os sobreviventes. Porquê? Porque o evento o justifica.

Em Portugal, numa situação semelhante, só uma publicação se deu ao trabalho de fazer algo assim, e a diferença de investimento nota-se.

Também é preciso ver que uma das pessoas envolvidas é o Xaquin Gonzalez Vieira, uma das referências na produção de narrativas digitais, que esteve ocupado a fazer outras coisas enquanto a reportagem era produzida. Devem conhecer melhor a sua infografia da queda  do avião no rio Hudson.

Resultado deste esforço?

uma semana

Tecnologia

Este é capaz de ser o primeiro grande trabalho de grande divulgação produzido por uma redacção que usa simplesmente HTML5 , CSS3 e Javascript para uma grande reportagem, em detrimento do Flash que, devido à sua fraca implementação nos tablets, tem perdido interesse por parte dos criadores de narrativas digitais.  Não são só necessárias pessoas nas redacções que saibam programar mas que saibam trabalhar com dados geográficos e estatísticos. No entanto, a produção dentro das redacções ainda se centra muito no esforço isolado do jornalista-escritor.

Concordo com quem disse que isto não é o futuro do jornalismo, mas não da mesma maneira. É o presente, e não é ficção científica. Não é um esforço descabido, especialmente se comparado com outro tipo de investimentos e se olharmos aos resultados qualitativos e quantitativos. E, basicamente, é uma reportagem com um formato tradicional, mais uns extras.

É , acima de tudo, o futuro das narrativas digitais de fundo. A tendência está aí, a procura também. O mercado digital está a expandir-se cada vez mais por plataformas com necessidades de visualização e interacção específicas que é necessário satisfazer. Mas isso implica que, onde quer que se queira produzir conteúdos para meios digitais, haja competências,  estratégia de mercado e meios de produção adequados.

Choque e exagero não é a melhor maneira de se encarar mais uma forma fantástica de se contar histórias. O que me preocupou nas críticas foi o facto de não terem em conta a realidade do consumo e sim a fraca qualidade das condições de produção existentes na maioria das redacções. Apesar do esforço feito pelos mesmos há anos (Rádio Renascença, Público e JN), o panorama das produções multimédia em Portugal é basicamente o mesmo há 5 anos, com um grau de evolução muito próximo do zero.

E o que vem a seguir a esta avalanche?

So what’s next? The design team behind the Times project told The Atlantic Wire last week that no specific new stories had presented themselves yet as affording the “luxury” of the six months it took to report and design “Snow Fall.” But Abramson’s memo cites one-third of traffic to the avalanche story as first-time web visitors, and that can be more appealing than raw numbers. (We’ve reached out to the Times for comment, and will update when we hear back.)

The Times, of course, does long, reported features all the time, but as The Atlantic’s Derek Thompson pointed out, “There is no feasible way to make six-month sixteen-person multimedia projects the day-to-day future of journalism, nor is there a need to.” But it’s been a great year for the “long read” community, and while there were few ads on the full-screen layout for “Snow Fall,” that its traffic has been dwarfed entire sites might not make single-story advertising too far fetched of an experiment.

 
So What if Tons of People Read That ‘Snow Fall’ Story on the Times Website?