Sep/110
The news website of the future? New portuguese project P3 presents bold layout
P3 is the name of a youth oriented news website, under the umbrella of Público, one of the reference news brands in Portugal. With a small team they tried to create a new concept that affects not only the design but also the relationship with users and functionality. They premiered around midnight this 22nd of September, and it looks really great.
I already had a sneak preview back in June and I should say I was looking forward for them to come out. Few times a new news website can be looked as a milestone in the industry, but I truly believe this is going to be one of those moments. I wish only the best to the team, where I have some friends.
Explore the website and share your thoughts about the look and feel of the layout.
More news about P3 soon.
Feb/101
António Granado sai do Público
Não estou minimamente surpreendido, mas talvez não esperasse que fosse já. António Granado anunciou a sua saída do Público onde exercia as funções de editor do online. Um dos jornais de referência portugueses perde uma das maiores referências na área. Do que sei neste momento sobre o Público é que tem muita gente de valor, mas que está sob uma estratégia que creio que se revelará danosa num curto espaço de tempo. Quero ver quem é que aproveita o facto do António estar livre…
Aqui fica uma entrevista que lhe fiz no final de 2007. Ainda se mantém actual.
António Granado em entrevista (novembro 2007)
António Granado é o editor da edição online do jornal Público. Eles têm estado sempre na vanguarda das novas tecnologias, e recentemente criaram uma equipa de vídeo e fizeram uma renovação gráfica no site do jornal.
Nesta pequena entrevista falámos com um ocupadíssimo António Granado sobre as suas perspectivas sobre o jornalismo online, um assunto de que ele trata no seu blog PontoMedia. António Granado dá também aulas na Universidade nova de Lisboa, e é uma das principais vozes em Portugal na discussão dos novos media.
Qual é a situação do jornalismo online em Portugal? Existe?
O jornalismo online em Portugal está a dar os seus primeiros passos. O investimento nesta área ainda é residual e os média começam agora a olhar com outros olhos para as possibilidades que a Internet lhes abre.
O Público foi o primeiro jornal de referência a investir na sua presença na Internet. Que mudanças é que estão a decorrer ao nível do jornalismo digital?
O PÚBLICO estreia hoje (19 de Novembro) vídeos no seu website e criou uma equipa de cinco pessoas para os fazer. Vamos alterar também a nossa homepage para dar destaque aos vídeos e passaremos a apostar mais nas imagens e nas infografias. O canal de Economia passou a ser assegurado em permanência pelos jornalistas da Economia, um primeiro passo para a necessária mudança no sentido correcto.
Que tipo de público é que lê a edição online do jornal?
Não temos estudos que nos permitam perceber quem são exactamente os leitores do Público.pt. Qualquer coisa que eu dissesse, estava apenas dar opiniões e não a apresentar factos.
Como professor, acha que preparação dada aos alunos de Jornalismo nas Universidades tem em conta as novas realidades?
É evidente que a maioria das universidades não está a preparar os estudantes para as novas realidades. A título de exemplo, ainda se faz uma divisão entre o ensino do jornalismo escrito, radiofónico e televisivo, uma aproximação tipo século XX, já desactualizada.
Os jornalistas portugueses, no geral, estão preparados para os novos media?
Os jornalistas portugueses não estão preparados para os novos média, porque os novos média estão a entrar muito devagar nas redacções e, às vezes, da pior maneira. É preciso treinar os jornalistas para as tarefas que o novo jornalismo exige, é preciso fazê-lo com o apoio dos jornalistas e não contra eles. Em muitos sítios isto não está a ser feito.
Há já um jornalismo de participação, ou citizen journalism em Portugal?
Penso que não há ainda jornalismo participativo em Portugal.
Há alguns anos atrás houve quem dissesse que não havia futuro nas publicações online. Este ano o director do El País disse que se abrisse o jornal agora seria apenas na versão digital. Que tipo de mentalidade existe no mercado editorial português e o que é preciso mudar?
A mentalidade é retrógrada. Há ainda muito medo do digital. Não se põem notícias online para não “queimar” as cachas do papel, não se investe no multimédia porque, no fundo, as pessoas ainda acham que, se calhar, a crise dos jornais não veio para ficar. É preciso mudar a atitude dos gestores perante o multimédia (os pequenos avanços não chegam, é preciso passos muito maiores); é preciso mudar a mentalidade dos responsáveis dos jornais, que não podem continuar a achar que uma notícia dura 24 horas; é preciso mudar a mentalidade dos jornalistas, que têm de perceber que a sua missão principal é informar seja de que forma for e não vender jornais no dia seguinte aos acontecimentos.
Os jornalistas têm uma imagem muito forte de si, talvez comparável à dos médicos, por existir uma noção ou sensação de poder. O que é que acontece a esta imagem do jornalista com a participação do leitor? O jornalismo do cidadão é realmente jornalismo?
O jornalista tem de se habituar à participação dos leitores. Jay Rosen chama-lhes “the people formerly known as the audience”, porque agora podem e querem participar mais no processo noticioso. Os jornalistas têm de perceber esta mudança radical e adaptar-se a ela. O jornalismo cidadão por vezes é, e por vezes não é, jornalismo. Como todos nós sabemos, também há jornalismo que não é jornalismo e que nos envergonha a todos.
Como é o jornalista do futuro?
O jornalista do futuro é alguém que consegue olhar para uma estória e contá-la da forma mais eficaz. Que se preocupa mais com os leitores e não tanto com as suas fontes.
E o leitor do futuro?
O leitor do futuro é o leitor do presente. “Sabe mais do que eu”, como diz Dan Gillmor. Quer e pode participar mais. Não se contenta com texto. Quer as notícias de imediato, na plataforma que está a utilizar e não em qualquer outra que lhe queiram impor.
O cenário do jornalismo online português pode parecer desolador, mas as mudanças são inevitáveis. Os velhos hábitos custam a desaparecer, e a situação em Portugal é igual à de tantos outros países. É um processo lento que precisa de ser feito, como diz o António Granado, “com o apoio dos jornalistas e não contra eles”
Dec/094
Portugal: Multimedia & Online Journalism Awards | Prémios de Multimédia e Jornalismo Online
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Last week, the ObCiber awarded, for the second year, the best online journalism works in Portugal. It’s a good way to recognize and evaluate the state of multimedia and online activity of portuguese media, but the feeling I get is that there is a lot to be done. If we look at the nominees, we see that, basically, only three different major news companies made the cut: Jornal de Notícias, Público and Radio Renascença, which are in fact the ones who are developing multimedia in the newsrooms in a sustainable way. The portuguese public television RTP also made the list, with their effort in mobile journalism during the elections, something that deserves to be analyzed by itself, since it had an experimental side to it. But that will have to stay for later. Here are the winners of this year’s edition:
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Na semana passada, o Obciber atribuiu pelo segundo ano os prémios para o melhor jornalismo online em Portugal. É uma boa forma de reconhecer e avaliar o estado e a actividade online dos media portugueses, mas sinto que ainda há muito por fazer. Se olharmos para os nomeados, vemos que basicamente apenas três marcas informativas chegaram lá: Jornal de Notícias, Público e Radio Renascença, que são de facto os que estão a desenvolver o multimédia nas redacções de forma sustentada. A RTP também está na lista, com o seu trabalho de jornalismo móvel durante a campanha eleitoral, algo que por si só merece uma análise mais aprofundada, devido ao seu lado experimental. Mas isso vai ter que ficar para outra altura. Eis os vencedores deste ano:
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The most nominated and biggest winner was the daily Jornal de Notícias, one of the top selling newspapers in Portugal. They were practically running by themselves in most categories, so the Overall Excellency in CyberJournalism award was more than expected. They also won in Best Multimedia Story, with a work about the credit crunch and citizen’s debts, and Best InfoGraphics with a work about Poker. Público, last year’s big winner, got the Breaking News award. Radio Renascença, the most heard radio in the country, won in the Video category with a piece about nuns in a monastery (they’re a Catholic radio), rewarding their efforts in the video department, that is one of the most hard working in Portugal, and that has been consistently delivering good works. In college journalism, the Porto’s University news endeavour JornalismoPortoNet took the prize home with the “Porto Adrift” dossier. |
O mais nomeado e o maior vencedor foi o Jornal de Notícias, um dos jornais nacionais com maior circulação. Como concorriam quase sozinhos na maioria das categorias, o prémio de Excelência Geral em Ciberjornalismo era mais do que esperado. Eles também venceram na categoria de Melhor Reportagem Multimédia, com um trabalho sobre o endividamento dos portugueses, e Melhor Infografia com um trabalho sobre Poker. O Público, o maior galardoado no ano passado, venceu em Breaking News. A Rádio Renascença venceu na categoria de Video, com um trabalho sobre freiras num mosteiro (são a rádio católica portuguesa), recompensando o seu investimento no departamento de video, que é um dos que mais e melhor trabalha no país. No jornalismo universitário, o JornalismoPortoNet levou o prémio para casa com o dossier “Porto à deriva”
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Alfredo Leite, deputy director of Jornal de Notícias, told me that these awards are the recognition of the work that the newspaper has been developing, and an “added responsibility, since the Observatory (ObCiber) gathers some of the people we acknowledge as the most competent in Digital Journalism” in Portugal. He claims JN is one of the most solid news websites in the country “though most times we are not seen that way” by a mainstream audience. “It is also the confirmation of a multidisciplinary team that slowly has been integrating in the digital platforms all the journalists and other resources” of the newspaper. In my opinion, there has been an evolution in Portuguese multimedia news but there is a lot to be done. What i hear is that some strategic mistakes have been made in some newsrooms, by appointing people who know nothing about the internet to coordinate multimedia, the neglect of the online towards a dead tree investment, and a demand for quality where there are no minimum working conditions. But that is not journalism, is plain politics. Still, some are trying. And those will be the ones who will succeed. Tell me what you think about these works in the comments. |
Alfredo Leite, director adjunto do Jornal de Notícias disse-me que estes prémios são “o reconhecimento do trabalho que o JN tem vindo a desenvolver, muitas vezes de forma invisível, de consolidação da sua edição digital” e “uma responsabilidade acrescida já que este Observatório reúne algumas das pessoas a quem mais competências reconhecemos e matéria de jornalismo digital no nosso país”. Ele afirma que o JN é “das webs mais sólidas do país, ainda que nem sempre sejamos reconhecidos enquanto tal pelo mainstream.” “É também a afirmação de uma equipa multidisplinar que aos poucos tem integrado na plataforma digital todos os jornalistas e outros recursos do JN.” Na minha opinião, tem-se assistido a uma evolução no jornalismo multimédia em Portugal, mas é preciso fazer mais. Do que ouço, há erros estratégicos a serem cometidos em algumas redacções, que nomeiam gente que não percebe nada de internet para coordenadores de multimédia, há negligência nos conteúdos online em favorecimento do papel, e uma exigência de qualidade onde não há condições mínimas para o fazer. Mas isso não é jornalismo, são politiquices. Mesmo assim, há quem tente. E esses terão sucesso. Digam o que pensam sobre estes trabalhos nos comentários.
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