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i de irremediável

…e não estou a falar do só do i. A troca de correspondência entre Martim Avillez Figueiredo e o Grupo Lena mostra a realidade da imprensa em Portugal: é só papel. Nem uma referência ao site, a investimento no digital, em multimédia. O i é um jornal e o site é (segundo ouvi dizer) o castigo para alguns jornalistas. Pelo que vi no programa da RTPN “Hora de Fecho”, o Grupo Lena vai aplicar algumas das resoluções que eu defendi assim que vi a primeira edição do i.

Eu pessoalmente não gosto da atitude editorial do i, que trazia por vezes mais curiosidades do que notícias (pelo menos era o que via no Facebook), mas respeito qualquer edição que tenha gente capaz e que consiga criar uma marca respeitada pelos seus pares internacionais. Todos os prémios que o i recebeu são merecidos, e não gosto de ver tanto potencial desperdiçado, numa redacção cheia de jovens jornalistas que vestiram a camisola de um projecto que sempre pareceu a muitos estar condenado desde o início.

E, repito, nem uma palavra sobre o investimento no online. Ter uma capa bonita nas bancas não chega, mas infelizmente é essa a maior preocupação da imprensa nacional.

Mais posts sobre o i em breve.

Director do Factual.es demite-se ao fim de dois meses

Arcadi Espada, director do novo jornal digital espanhol Factual.es, demitiu-se numa decisão que causou surpresa no mercado editorial espanhol. (ver outro post sobre o jornal)

Espada abandona o cargo apenas dois meses após o lançamento da primeira edição. As razões apresentadas  no seu último editorial revelam divergências entre a estratégia da administração e a perspectiva do director no “modelo e orientação” do projecto. Cristina Fallaras, a número dois na estrutura da redacção seguiu-lhe os passos.

Como o agora ex-director estava profundamente envolvido no desenvolvimento do Factual, há algumas dúvidas em relação ao futuro do jornal, que era visto como um projecto pessoal do próprio Espada. Ele diz:

“Qualquer pessoa que invista num negócio tem todo o direito a exercer algum controlo sobre ele. Da mesma forma, também tenho que proteger a orientação do modelo jornalístico em que trabalhei nos últimos dois anos. Esse período impede que Factual seja considerado como uma breve experiência pessoal.”

Juan Carlos Girauta foi nomeado como novo director, e a administração anunciou que irá contar com o contributo de todos os que trabalham no jornal, mas parecem estar a caminho algumas mudanças na estrutura da redacção. Presume-se que grande parte do pessoal será despedido, para dar lugar à  equipa do novo director.

Ao longo do dia de hoje, os membros da redacção não puderam trabalhar no jornal, por terem sido alteradas as passwords e os logins no sistema administrativo do site. Um dos elementos disse que estavam sentados à espera de mais informação, já que ninguém está a dirigir a redacção: “Eles pediram-nos para trabalhar hoje e amanhã, mas é um pouco estranho estar a trabalhar e saber que vamos ser despedidos.”

Vinte pessoas trabalham no Factual, em duas redacções, uma em Barcelona, outra em Madrid.

Spain’s new newspaper – the Factual truth | O novo jornal de Espanha – a verdade Factual

music by gmz

There is a new news project in Spain. Factual.es is the child of the journalist Arcadi Espada and intends to be different from the rest of the media.

First of all, they’re charging 50€ for an anual subscription. They are not conventional in the way they depict themselves, or in the way they present their content (check video above). They respect a contract, where the main idea is to stand for the truth whenever possible, and follow the mantra: “El periodismo no se vende. El periodismo se compra”.

It is an interesting project, and i’m looking forward for new developments and editions, to see what they’re made of. So far, i like them. Mucha suerte.

Below is the email i got from them by the end of their first day, it’s worth reading.

Há um novo projecto informativo em Espanha. Factual.es é a criação do jornalista Arcadi Espada e pretende se diferente dos restantes média.

Antes de mais, eles estão a cobrar 50€ por uma assinatura anual. Não são convencionais na maneira como se mostram, ou na maneira como apresentam o conteúdo (ver video acima). Eles seguem um contrato, onde a ideia principal é dar a verdade sempre que possível, e recitam o seguinte lema: “El periodismo no se vende. El periodismo se compra”.

É um projecto interessante e estou curioso em assistir aos  desenvolvimentos e edições seguintes, e ver do que são feitos. Para já, gosto deles. Mucha suerte.

Abaixo está o email que recebi deles no final do seu primeiro dia a sério, vale a pena ler.

Lunes, 30 de noviembre de 2009
Los lunes son días tranquilos en las redacciones. Si el domingo no secuestran a un grupo de cooperantes, ni se celebran sorprendentes elecciones suizas contra los minaretes, ni a Montilla se le calienta el morrete, que hay que ver cómo se está creciendo el cordobés.

Los lunes son días tranquilos, sobre todo, si no es el primer día.

Hoy era el primer día. Al menos, el primer ‘día vista’, como dicen las agendas, porque en Factual llevamos dos meses publicando (para nadie) números cero. Y, claro, han sido números suficientes para que yo llegue a una serie de conclusiones que les resumiré a continuación.

1. Arcadi Espada es, ciertamente, un excéntrico. Para lo bueno, y para lo otro. Además, hace trampas: piensa.
2. Viva Gutemberg.
3. La de Factual es una redacción de treintañeros.

Y aquí va mi segunda clasificación del día, si me permiten, que tengo yo mucha necesidad de orden con todas estas cosas que suceden a mi alrededor:

1. Una redacción de veinteañeros es una leonera donde todo el mundo va a lo suyo, que si conciertos, que si granos.
2. Una redacción de cuarentones es un rebaño donde todo el mundo va a lo suyo, que si llego tarde a casa, que si nos tomamos la penúltima, que si la oveja negra.
3. Una redacción de treintañeros, Factual o sea, es una orgía donde todo el mundo está en edad de fornicar, engendrar, formar parejas.

Así que yo voy a lanzar al mundo cada día una crónica (ésta) mitad tratado de periodismo borde, mitad ensayo sobre el apareamiento nuevo siglo. Me lo estoy oliendo.

En fin, que Factual ya está en la calle

y mañana será otro día. Exactamente el segundo.

Buenas noches.

A visit to the Telegraph Media Group | Uma visita ao Telegraph Media Group

Tiny Telegraph
Tiny view of a big newsroom

This Wednesday some of  MA students went to London for a short visit to  the Telegraph Media Group headquarters to see how and where they work. It was, really interesting and we got to learn more about their methods and feel the vibe in the newsroom. And it was somewhat surprising.

Edward Roussel, digital editor of the Group, gave us an overview of the history of the newspaper, since it’s very beginnings in 1855. They had a rapid growth, becoming the newspaper with the largest circulation in the world in 1876. They innovated in 1925 by being the first British paper publishing a daily crossword puzzle.  In 1947 they exceeded the 1 million copies and almost 50 years late became the first national newspaper in Britain to have an online presence.

Their online growth has also been quite impressive, going from 5.6 million users in September  to 31 million three years later. Part of their success comes from generating communities among readers, where MyTelegraph plays an important role.

Edward Roussel gave us some ideas about their online investment:

-the digital cost base is 65% lower than the paper;

-“Newspapers are industrial products and have industrial cost basis”;

-“We’re here to write stories who have impact in people’s lives”;

-“Think global, act local”;

There is a strategy for the newspaper, that includes the paper, the website and mobile content, that seeks to create revenue  from subscriptions, commerce and contextual advertising. Roussel also said that they’re investing in community so the newspaper’s website doesn’t become “a machine”.

Then we talked to Gordon Rayner, who described us the process on the MP expenses story. It was an interesting first person insight on how the story developed, and how the team of reporters lead by Rayner published the most important news story the Telegraph broke in their recent history.

Shane Richmond gave us tour around the  working space afterwards, where we could see how the different sections are organized in the open space of the fully integrated newsroom floor. They have a video and an audio studio, the big media wall, where they can follow the ongoing events – it even had a twitterfall.

One of the most surprising things for me was how silent it was, despite the crowd of journalists in front of the dozens of screens, and having meetings and on the phone.  Shane Richmond explained that in open work areas people tend lower their voice. I think that the computer based process also help a bit. All journalists work for the online and print supports.

It was good to be there. There is a different vibe to big newsrooms, and the Telegraph’s is something special. See the slideshow below for some pics, my colleagues took some more, i’ll try to post them sometime soon.

Esta Quarta-feira alguns de nós aqui do Mestrado  fomos a Londres numa curta visita às instalações do Telegraph Media Group ver onde e como eles trabalham. Foi muito interessante, aprendemos um bocado sobre os seus métodos e pudemos tirar o pulso à redacção. E, de certa forma, foi surpreendente.

Edward Roussel, editor digital do grupo, deu-nos um breve resumo da história do jornal, desde que surgiu em 1855. Eles tiveram um crescimento muito rápido, tornando-se no jornal de maior tiragem do mundo em 1876. Foram inovadores em 1925 ao ser o primeiro jornal britânico a ter palavras cruzadas diariamente. Em 1947 ultrapassaram o milhão de cópias e cerca de 50 anos mais tarde foram o primeiro jornal nacional no Reino Unido a ter uma presença online.

O seu crescimento online também foi impressionante, indo de 5.6 milhões de utilizadores em Setembro de 2006 para 31 milhões três anos mais tarde. Parte do deu sucesso vem da criação de comunidades entre os leitores, onde o MyTelegraph tem um papel importante.

Edward Roussel deu-nos algumas ideias sobre o seu investimento online:

-o custo base do online é 65% inferior ao do papel;

-“Os jornais são produtos industriais que têm um custo base industrial”;

-“Estamos aqui para escrever histórias que tenham impacto na vida das pessoas”;

-“Pensar globalmente, agir localmente”;

Há uma estratégia para o jornal, que inclui o impresso, o site e os conteúdos móveis, que procura gerar receita com assinaturas, comércio e publicidade contextualizada. Roussel disse também que o seu investimento na comunidade serve também para evitar que o site se transforme “numa máquina”.

Depois falámos com Gordon Rayner, que descreveu o processo na história das despesas dos deputados. Foi um relato na primeira pessoa muito interessante sobre como tudo se desenrolou, e como a equipa de repórteres liderada por Rayner publicou a cacha mais importante na história recente do Telegraph.

Shane Richmond mostrou-nos as instalações depois, e pudémos ver como as diferentes secções estão organizadas no espaço da redacção integrada. Eles têm estúdios de video e áudio, uma parede com projecção de media, onde podem seguir o que se vai passando – até tinha uma twitterfall.

Uma das coisas mais surpreendentes para mim foi o silêncio, apesar da multidão de jornalistas à frente de dezenas de monitores, em reuniões ou ao telefone. Richmond explicou que me áreas abertas de trabalho as pessoas costumam baixar a voz. Penso que o trabalho apoiado em computadores ajuda um bocado. Todos os jornalistas trabalham para o papel e para o online.

Foi muito bom estar lá. Há um feeling diferente numa grande redacção, e a do Telegraph é qualquer coisa. Vejam  algumas fotos no slideshow abaixo, os meus colegas tiraram mais, vou tentar pubicá-las em breve.