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Os Media em 2011: Previsões

O meu caro amigo Mr.Steed desafiou-me para fazermos um post conjunto com as previsões para os media em 2011. Consultámos algumas pessoas cuja opinião nos pareceu ser pertinente, tanto da nossa praça como além fronteiras, sobre o que poderão ser as tendências para o negócio dos media num futuro próximo.

É claro que há riscos neste tipo de coisas. Existe uma frase feita que diz que a mudança está a ocorrer mais depressa do que a nossa adaptação a ela. E quando falo de nós, refiro-me quer a utilizadores, quer a produtores de conteúdos. Atravessamos a maior revolução desde a Revolução Industrial, que assenta não só em avanços tecnológicos mas também em novas relações entre os media e os seus públicos, entre instituições e cidadãos comuns, entre os próprios utilizadores.

Se tiverem dúvidas pensem nisto: o Youtube tem 5 anos; o Google tem 10; o Facebook tem quase 600 milhões de utilizadores, e quantos de vocês estão lá há mais de 2 anos? E que consequências traz algo como o Wikileaks? E quantas vezes a Internet e as redes sociais são referidas nos noticiários, nos jornais, e quantas vezes as primeiras informações surgem através de cidadãos anónimos (cada vez mais um paradoxo), com vídeos filmados com telemóveis, fotografias imediatamente colocadas na rede, ou tweets durante os acontecimentos?

A esta nova lógica juntam-se dispositivos completamente novos, que exigem uma linguagem e formas de comunicação também completamente novas. A primeira década do século XXI vai ficar na história como a década da Revolução Digital. Por isso, qualquer exercício de adivinhação é uma tarefa complicada.

Neste post vou só destacar algumas das ideias propostas pelos nossos convidados, mas poderão ler tudo na íntegra no blog do Mr.Steed, onde ele faz as suas próprias previsões para o ano que se avizinha.

Uma coisa é certa: são tempos incríveis para se ser jornalista, e poucas gerações se podem gabar de poder ter vivido algo que tenha afectado a maneira de nos relacionarmos com o mundo de forma tão profunda, como ao que estamos a assistir todos os dias.

Algumas redações vão descobrir em 2011 que: 1) existe uma coisa chamada World Wide Web; 2) os computadores servem para mais do que bater texto, editar imagem, ver p0rn/receitas e receber spam; 3) o Internet Explorer dá para fazer mais coisas do que ler blogs e os sites da concorrência. Do número de descobertas dependerá a velocidade da migração dos jornais para as plataformas a que continuamos a chamar novas como se a última década tivesse demorado três meses.

Paulo Querido

I said that things would get ugly in 2010 and have been sadly proved right. I think they’ll get even uglier in 2011 as the reaction against the shift in power grows and the fallout from Wikileaks continues. Expect a lot of rushed-through legislation against the invisible threats of the web which has implications for journalists and publishers.

Paul Bradshaw

Novos títulos irão surgir mas com enfoque em nichos. Títulos especializados. Direccionados a comunidades.

Rodrigo Saraiva

Muitos média com conteúdos medíocres não resistirão a fazer-se pagar por eles, como se fosse possível enganar os utilizadores. Perderão em influência e em publicidade.

António Granado

The new year will also see a refinement of multimedia strategies. So far many multimedia projects have been experimental in some ways, but we can now look back and see what works and what doesn’t and better serve our readers and viewers.

Mark S.Luckie

Jornalistas da comunicação escrita, com maior espírito de sobrevivência, intensificarão a sua aprendizagem nas áreas das técnicas audiovisuais.

Alexandre Pais

Os jornalistas estão a descobrir avidamente o Twitter e o Facebook, são cada vez mais bloggers e produtores de conteúdos nas redes sociais,  e começam até a ser gestores das suas comunidades on-line. Também haverá cada vez mais free-lancers. Provavelmente o Sindicato de Jornalistas não conseguirá acompanhar esta nova realidade. Parece-me pois provável que um dia destes surja uma associação profissional que congregue os novos interesses e desafios da profissão.

Alda Telles

As empresas de media portuguesas ainda não têm um modelo de negócio para estes novos tempos.

Manuel Falcão

E que previsões têm vocês para o ano que se avizinha? O que é que esperam dos media em 2011?

Looking back, looking forward | Olhar para trás, ver em frente

burning newspapers

This is the  time of the year where we look back and see how much we have accomplished, and where we are headed, or, at least, when we try to set a route for the next times. I always do that, but nowadays i’m basically going with the flow. Less talking, more doing, that has been my mantra.

But since i did a lot of talking (blogging) before about journalism, i wanted to recover a blog post i wrote 20 months ago. I think i wasn’t that far off from the truth, since i’ve been reading a lot of posts from smarter people than i am saying pretty much the same. Here’s a summary:

“There are five keypoints where changes must occur. Maybe there are more, but i’ll leave the others to you:

Method -> newspapers need to change the way news are gathered and presented;

Posture -> newspapers must change their editorial guidelines;

Involvement -> newspapers need to interact with the audience, not only regarding them as users or readers, but as people;

Investment -> newspapers need to spend money to make money, and charge less to more;

Technology -> use technology to make better, faster, unique;”

It’s newspaper oriented, but i guess it applies to any medium. Read the whole thing and let me know where i got it right and wrong.

Meanwhile, i’ll keep meditating on the path that led me where i am now, a small break for breath on the side of the road. I’ll resume my voyage soon. Happy New Year.

Esta é aquela altura do ano em que olhamos patra trás e vemos o que conseguimos fazer, e para onde vamos, ou, pelo menos, tentamos estabelecer uma rota para os tempos mais próximos. Eu faço sempre isso, mas hoje em dia ando ao sabor da corrente. Falar menos, fazer mais é o meu mantra actual.

Mas já que falei (bloguei) muito antes sobre jornalismo, queria recuperar um post que escrevi há 20 meses atrás. Penso que não estava assim tão longe da verdade, já que tenho lido muitos posts de gente mais inteligente que eu a dizer o mesmo. Aqui fica um pequeno sumário:

“Existem cinco pontos-chave onde são necessárias mudanças. Talvez hajam mais, mas vou deixar as outras sugestões para vocês:

Método -> Os jornais precisam de alterar a forma como recolhem e apresentam as notícias;

Postura -> Os jornais precisam de alterar as suas linhas editoriais;

Envolvimento -> Os jornais precisam de interagir com os seus leitores, não olhando para eles como utilizadores mas como pessoas;

Investimento -> Os jornais precisam de gastar dinheiro para fazer dinheiro,e cobrar menos a mais;

Tecnologia-> Os jornais têm que recorrer à tecnologia para fazer melhor, mais rápido e único;”

É sobre jornais, mas acho que se aplica a qualquer meio. Leiam o texto por inteiro e digam-me onde é que acertei e errei.

Entretanto, vou continuar a reflectir no caminho que me trouxe até onde estou agora, uma pequena pausa para ganhar fôlego à beira da estrada. Volto a fazer-me ao caminho em breve. Feliz Ano Novo.

(The Future of) Journalism in Portugal conference | (O Futuro do) Jornalismo em Portugal

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Video: Comunicamos

If you are in the vicinity of Carregal do Sal and if you would like to join the debate around Journalism in Portugal, then you should attend the conference organized by the Rascunhos school newspaper. A high school newspaper!

The organizers, as you can see in the video above, are young, but eager to discuss journalism and present their project. Ricardo Sousa, the smart fellow on the left, invited me a few weeks ago to participate, but i had to decline, and now i feel sorry for it because it looks like it’s going to be good.

I was impressed with Ricardo then, when we exchanged emails, but after watching the video i am even more. This guy is going places. I don’t know his partner in the event, Romina Santos, but i know that their team effort will be fruitful, and i can’t express how much i admire them for doing this.

They’ll be having from young journalists to journalism teachers, to experienced reporters and newspaper board members. And they’ll take the chance to present the brand new edition of their school newspaper.

It looks like it’s going to be a lot of fun, and i will have to watch the video stream to compensate the fact i won’t be there. But i feel good knowing that there are kids willing to do stuff, and get into the debate. The future looks brighter this way.

Se estiverem por perto de Carregal do Sal e quiserem entrar num debate sobre o Jornalismo em Portugal, então devem ir à conferência organizada pelo jornal Rascunhos. Um jornal de uma escola secundária!

Os organizadores, como podem ver no video acima, são novos mas impacientes por discutir o Jornalismo e apresentar o seu projecto. Ricardo Sousa, o rapaz inteligente do lado esquerdo, convidou-me há umas semanas para o painel, mas tive que recusar, e agora lamento não poder ir, porque parece-me que vai ser bom.

Fiquei impressionado com o Ricardo na altura, enquanto trocávamos emails, mas depois de ver o video fiquei ainda mais. Este miúdo vai chegar longe. Não conheço a colega dele, a Romina Santos, mas tenho a certeza que o seu trabalho de equipa irá dar resultados, e não consigo expressar o quanto  os admiro por fazerem isto.

Eles vão receber desde jovens jornalistas a professores de jornalismo, de repórteres experientes a directores adjuntos de jornais. E vão aproveitar a oportunidade para apresentar o seu jornal de escola, novinho em folha.

Soa-me que vai ser divertido, e vou ter que seguir pelo stream de video para compensar a minha falta de comparência. Mas sinto-me bem sabendo que há miúdos com vontade de fazer coisas, e entrarem na discussão. O futuro parece mais brilhante assim.

JORNALISMO EM PORTUGAL- Debate e apresentação jornal Rascunhos, 11 de Setembro 2009

Programa do Dia:

14h00min – Abertura Solene da Cerimónia

  • Intervenção do Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Atílio dos Santos Nunes
  • Intervenção do Director do Rascunhos e Director da ESCSAL, Prof. Hermínio Marques
  • Intervenção da Co-Editora Principal do Rascunhos, Romina Santos

14h20min – Ínicio da Sessão de Palestras

  • “Um Jornal Escolar no Século XXI. Como? – Apresentação do Jornal”, Ricardo Sousa15 minutos
  • “Como se faz um bom Jornal?”, João Simão30 minutos
  • “Comunicação Oral Começa nas Escolas”, Carla Marques30 minutos
  • “Ética no Jornalismo”, Daniel Ricardo20 minutos

16h00min – Ínicio do Debate “Jornalismo em Portugal”

  • Paulo Querido, via Skype, Jornalista Freelance Multimédia
  • Vanessa Quitério, no local, Estudante de Jornalismo / Estagiária
  • Paulo Ferreira, no local, Jornalista, Editor Adjunto do Jornal Público
  • Bruno Faria, no local, Jornalista, Repórter para o “Jornal i”
  • Daniel Ricardo, no local, Jornalista, Editor Executivo da Visão
  • João Simão, no local, Professor de Jornalismo, Editor da UTADtv
  • Ainda em aberto a possibilidade de participação do Director do Diário de Notícias
  • moderam Ricardo Sousa e Rita Ferreira, Jornal Rascunhos.

18h15min – Final Oficial do Debate. Nota de Encerramento

    Agradece a Presença e Fecha a Sessão:

  • Ricardo Sousa, Co-Editor Principal Jornal Rascunhos