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O “Golpe de Estado” esta noite em Portugal foi só no Twitter #prayforportugal

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Não há coisa pior que acordar de má vontade e de repente perceberes que as redes estão a fervilhar com alguma coisa que se passou durante a noite. Na minha timeline muita gente perguntava o que era a tag #prayforportugal, e tive que ir descobrir o que era.

Clicando na tag pude ver que os autores de tão generoso movimento eram espanhóis, logo tinha que desconfiar. Recuando um pouco no tempo percebi que falavam de um golpe de estado que tinha ocorrido durante a noite em Portugal. Ora, no Bom Dia Portugal da RTP, que estava a ver na altura, não diziam nada sobre o assunto, como seria natural em caso de estarem a inventar revoluções pela net.

Neste post explicam bem o que se passou, e tudo partiu de uma fotomontagem a simular um tweet do El País. Porque é que se gasta tempo e perícia nestas coisas não percebo, mas ainda me lembro do rumor nos mercados internacionais de um golpe de estado por cá ainda o Durão Barroso era primeiro ministro. Na China era tudo preso, mas felizmente não somos a China. Ainda.

Eu acho que é tudo inveja, mas não se deve começar o dia com uma mentira destas. A desilusão pode dar-nos cabo do dia. Nuestros hermanos, no Europeu hablamos, ok?

UPDATE: estou a ver alguns portugueses a inventar situações nas suas timelines para alinhar na brincadeira, como: “snipers estão a matar pessoas a partir do telhados do Porto” e que há combates nas ruas. Não brinquem, isto é tudo uma questão de percepção e já somos muito mal vistos por quem não nos conhece.

UPDATE 2: o Público apresenta outra versão e provavelmente estão mais certos que eu, porque têm meios para isso (e pagam-lhes). Agora  gostava de saber quem foi a inteligência na AP que se lembrou desta. Não confundam assaltos a multibancos com guerras civis.

UPDATE 3 (Com a ajuda do Luís Galrão): O Expresso alinha pela minha primeira versão e o Público mudou a versão inicial. (vejam os comentários abaixo). Acontece.

Jornal Público acaba com a edição em papel (o de Espanha)

Depois de ter sido lançado em Setembro de 2007, o jornal Público (de Espanha, não confundir com o nosso) termina com a sua edição em papel.

Há um ano  tinha uma tiragem média de 90 mil exemplares, longe dos quase 425 mil do líder El País.

De acordo com o artigo publicado no site do jornal, a edição online continuará para servir os cerca de 5,5 milhões de utilizadores.

Los trabajadores decidirán en asamblea cuando se publica el último número, aunque como máximo podrá salir a la calle hasta el próximo domingo 26. Esta medida no afecta a la edición digital que continuará con su actividad. Público.es tiene más de 5,5 millones de usuarios únicos, que la sitúan como la cuarta web de información general en España, según los datos de OJD.

O blog 233grados recolheu algumas reacções no Twitter.

[blackbirdpie url=”https://twitter.com/#!/iescolar/statuses/173004488720908288″]

Apesar das manifestações de apoio, o jornal vai ter que despedir parte dos seus 160 trabalhadores. O Público tranformou-se num jornal de referência na sociedade espanhola, com a sua linha humanista e interventiva e aposta no jornalismo de qualidade.  Seria de esperar que em tempo de crise a sua voz fosse mais forte,  mas talvez por esta crise ser particular perdeu o seu espaço e a sua viabilidade económica.

Segue online e vamos ver o que o futuro lhes reserva. Cliquem na imagem abaixo para ler o manifesto de apoio ao jornal.

E em Portugal? Haverá encerramentos em breve?

Spain’s new newspaper – the Factual truth | O novo jornal de Espanha – a verdade Factual

music by gmz

There is a new news project in Spain. Factual.es is the child of the journalist Arcadi Espada and intends to be different from the rest of the media.

First of all, they’re charging 50€ for an anual subscription. They are not conventional in the way they depict themselves, or in the way they present their content (check video above). They respect a contract, where the main idea is to stand for the truth whenever possible, and follow the mantra: “El periodismo no se vende. El periodismo se compra”.

It is an interesting project, and i’m looking forward for new developments and editions, to see what they’re made of. So far, i like them. Mucha suerte.

Below is the email i got from them by the end of their first day, it’s worth reading.

Há um novo projecto informativo em Espanha. Factual.es é a criação do jornalista Arcadi Espada e pretende se diferente dos restantes média.

Antes de mais, eles estão a cobrar 50€ por uma assinatura anual. Não são convencionais na maneira como se mostram, ou na maneira como apresentam o conteúdo (ver video acima). Eles seguem um contrato, onde a ideia principal é dar a verdade sempre que possível, e recitam o seguinte lema: “El periodismo no se vende. El periodismo se compra”.

É um projecto interessante e estou curioso em assistir aos  desenvolvimentos e edições seguintes, e ver do que são feitos. Para já, gosto deles. Mucha suerte.

Abaixo está o email que recebi deles no final do seu primeiro dia a sério, vale a pena ler.

Lunes, 30 de noviembre de 2009
Los lunes son días tranquilos en las redacciones. Si el domingo no secuestran a un grupo de cooperantes, ni se celebran sorprendentes elecciones suizas contra los minaretes, ni a Montilla se le calienta el morrete, que hay que ver cómo se está creciendo el cordobés.

Los lunes son días tranquilos, sobre todo, si no es el primer día.

Hoy era el primer día. Al menos, el primer ‘día vista’, como dicen las agendas, porque en Factual llevamos dos meses publicando (para nadie) números cero. Y, claro, han sido números suficientes para que yo llegue a una serie de conclusiones que les resumiré a continuación.

1. Arcadi Espada es, ciertamente, un excéntrico. Para lo bueno, y para lo otro. Además, hace trampas: piensa.
2. Viva Gutemberg.
3. La de Factual es una redacción de treintañeros.

Y aquí va mi segunda clasificación del día, si me permiten, que tengo yo mucha necesidad de orden con todas estas cosas que suceden a mi alrededor:

1. Una redacción de veinteañeros es una leonera donde todo el mundo va a lo suyo, que si conciertos, que si granos.
2. Una redacción de cuarentones es un rebaño donde todo el mundo va a lo suyo, que si llego tarde a casa, que si nos tomamos la penúltima, que si la oveja negra.
3. Una redacción de treintañeros, Factual o sea, es una orgía donde todo el mundo está en edad de fornicar, engendrar, formar parejas.

Así que yo voy a lanzar al mundo cada día una crónica (ésta) mitad tratado de periodismo borde, mitad ensayo sobre el apareamiento nuevo siglo. Me lo estoy oliendo.

En fin, que Factual ya está en la calle

y mañana será otro día. Exactamente el segundo.

Buenas noches.

soitu.es: the end | o fim

soitu
Soitu.es Newsroom | Redacção do Soitu.es

One of the most interesting news projects going on the web is now closed. The spanish based Soitu.es is gone, after only 22 months after its launch. In between they won two Online News Association awards, a place in the News Museum in  Washington, and saw their design distinguished by the Society for News Design. It was interesting, intense, risky, but it failed.

Juan Antonio Giner shares in his view on the closing of Soitu the opinion of  AFP’s Eric Scherer in Rue89:

He says “that there are three lessons to be learned from the death of soitu.es:

1. Don’t depend only from one shareholder (specially if it is a bank)

2. Start small.

3. Don’t depend only from advertising.”

For Giner, “soitu.es made all these three mistakes.”  I wish the Soitu team the best of luck for the future.

Um dos projectos informativos mais interessantes na web acabou. O site espanhol Soitu.es fechou apenas 22 meses depois do seu lançamento. Pelo meio ganharam dois prémios da Online News Association, um lugar no News Museum em  Washington,e viram o seu design ser reconhecido pela Society of News Design. Foi interessante, intenso, arriscado, mas falhou.

Juan Antonio Giner partilha na sua visão do encerramento do Soitu a opinião de Eric Scherer da AFP, no Rue89:

Ele diz que “há três lições a retirar da morte do Soitu.es:

1. Não dependam de um uníco accionista (especialmente se for um banco)

2. Comecem pequeno.

3. Não dependam apenas de publicidade”.

Para Giner “soitu.es cometeu todos estes erros.” Desejo à equipa do soitu a melhor sorte para o futuro.