Changes part 1 | Mudanças parte 1

Some of you already knew about this, but i applied to the MA Online Journalism at Birmingham City University, a course created and headed by Paul Bradshaw.

I got a place there a few weeks ago, but i was depending on a bank loan that kept me from making any “official” statement about this sooner. It came through today, though there’s still some bureaucracy involved.

I asked for your support and you have been great joining the cause. Without you everything would be harder. So, thank you.

Anyway, i’m going. It’s going to be a huge change in my life and hopefully a stepping stone for my career. It’s going to be hard for different reasons, but it can’t be harder than what i’ve gone through in the last few years. And i expect it to be more fun.

But this is just part of it. There are more changes on the way. I’ll let you know soon.

Alguns de vocês já sabiam disto, mas candidatei-me ao Mestrado em Jornalismo Online da Birmingham City University,um curso criado e dirigido pelo Paul Bradshaw.

Consegui um lugar lá há já umas semanas, mas estava dependente de um empréstimo bancário que me impediu de fazer alguma declaração “oficial” mais cedo. Mas consegui-o hoje, apesar de haver ainda alguma papelada a tratar.

Eu pedi o vosso apoio e vocês foram impecáveis ao aderir à causa. Sem vocês seria tudo mais difícil, por isso, obrigado.

De qualquer forma, eu vou. Vai ser uma mudança enorme na minha vida e espero que seja um passo em frente na minha carreira. Vai ser difícil por várias razões, mas não será mais do que vivi nos últimos anos. E acredito que será mais divertido.

Mas isto é apenas parte, há mais mudanças a caminho. Em breve eu ponho-vos a par.

Portuguese Journalists on Twitter and @JayRosen_nyu’s List | Jornalistas Portugueses no Twitter e a Lista de Rosen

Who are the top portuguese journalists on Twitter? Who is more popular, chatty or has a better following/follower relation? Tireless João Simão, teacher at UTAD (by the way, check his new project of live video interviews using Twitter) did an analisys on who are the journalists on Twitter, using data from TwitterPortugal, and came up with a top 25 list.

It’s a nice crowd, and you should be following at least some of them.

Quem são os jornalistas portugueses que estão no Twitter? quem é mais popular, falador ou tem uma melhor relação seguidores/seguidor? O incansável João Simão da UTAD (já agora, vejam o seu novo projecto de entrevistas video em directo usando o Twitter) fez uma análise dos jornalistas no Twitter usando dados do TwitterPortugal, e criou um top 25.

É um grupo porreiro e deviam seguir pelo menos alguns deles.

Know anyone? | Conhecem alguém?
Know anyone? | Conhecem alguém?

After this analisys was published i got a whole new batch of followers (thank you all), but my major source of tweeple lately has been Jay Rosen’s “600” list. I recommend it to everyone who is looking for media related tweets.

(shameless self promotion moment, so sorry for that…)

Depois desta análise ter sido publicada ganhei um monte de followers (obrigado a todos), mas a minha maior fonte de seguidores nos últimos tempos tem sido a lista dos “600” de Jay Rosen. Recomendo-a a quem quer tweets relacionados com media.

(momento desavergonhado de auto-promoção, as minhas desculpas…)

The "600"...well, some... |  Os "600"...bem, alguns...
The "600"...well, some... | Os "600"...bem, alguns...

Entrevista II: Ciberjornalismo e ética

A Íris Martins é aluna do Professor Vítor Malheiros na Lusófona em Lisboa e entrevistou-me no âmbito do seu trabalho sobre Ética e Ciberjornalismo. Andámos um bocado às voltas do mesmo, mas acho que não digo grandes asneiras (eu acho sempre arriscado entrevistarem-me para estas coisas, estão notas em causa) . O que me preocupa é a distinção que se faz do ciberjornalismo do jornalismo. Mas eu marco a minha posição.

-Existe alguma ética específica para o Ciberjornalismo?

Não creio, a função é a mesma e terá que seguir os trâmites e regras do Jornalismo. O Ciberjornalismo implica “apenas” uma mudança de meio, velocidade, formatos,  e de relação com o público. Mas os paradigmas éticos deverão ser os mesmos que os do Jornalismo tradicional. É claro que novas questões se levantam, mas se aplicarmos os princípios éticos básicos temos muitos problemas resolvidos. A ética para o Ciberjornalismo terá as suas especificidades, na atribuição e relação com as fontes e a entrada dos cidadãos na criação de conteúdos, mas creio que a ética já existente é aplicável na maioria das situações.

-Se não existe será que há necessidade dela?

A ética por definição é o conjunto  de regras que têm por objectivo as boas práticas para um bem geral, no caso do Jornalismo, para uma aplicação correcta, independente e socialmente valiosa da informação. Como já disse, o prefixo “ciber” refere-se a uma plataforma, o que interessa aqui é o Jornalismo per se. Há a mesma necessidade porque é a mesma actividade.

-Serão as regras dos meus tradicionais passíveis de aplicar à web?

Sempre, e terão que se encontrar respostas para novas questões, mas os fundamentos básicos mantém-se. A velocidade sempre foi o maior problema na informação e nunca se foi tão veloz como agora, o que cria problemas no processo de recolha, verificação e distribuição de informação. Os princípios éticos mantém-se, e os processos básicos também. No fundo, o trabalho do jornalista é exactamente o mesmo: recolher, verificar e difundir informação. As ferramentas e o grau de envolvimento com o público é que mudaram, mas no cerne da profissão pouco mudou. Um mau jornalista é um mau ciberjornalista e vice-versa, para além das questões técnicas de tratamento de informação há um elemento de formação pessoal que pesa muito e acabamos por nos esquecer disso.

-Num mundo em que todos podem ser repórteres de que modo os valores éticos se vão conseguir manter?

A avalanche de informação gerada por cidadãos comuns – que não têm como actividade o jornalismo – criou essa questão, mas é também a própria resposta ao problema. As relações na Internet baseiam-se cada vez mais na confiança e recomendação, e com tanta escolha existe uma fiscalização entre utilizadores e os conteúdos que geram, sobressaindo sempre os melhores, e acabando os piores por serem ignorados ou desmascarados. Esta autoregulação é extraordinária e fortíssima, mas não está relacionada com os princípios éticos do Jornalismo mas com princípios morais de uma sociedade que vive online e que busca de forma activa a melhor informação possível. Os valores éticos terão que estar permanentemente presentes no trabalho dos jornalistas, que terão que ser os mais fidedignos e capazes possível para poderem estabelecer dois activos extremamente importantes para a sua actividade: reputação e confiança. Se plagiarem facilmente serão apanhados, se  mentirem caírão em desgraça, em poucos minutos se destrói uma imagem que demorou anos a construir. O papel do jornalista continua a ser recolher a informação, venha ela dos cidadãos repórter ou não, e submetê-la ao seu filtro ético, procurar a verdade, não aceitar como final a informação que lhe é disponibilizada. A ética do jornalista é o valor-padrão de qualidade de informação, agora se a informação que os cidadãos repórter alcança ou não esse padrão é outro problema, que como disse, se resolve por sim mesmo.

-A diferença entre o ciberjornalismo e o jornalismo tradicional está relacionada apenas com uma questão de meio e formato, ou também uma diferença nos métodos de tratamento da informação? Assim sendo, será que também a ética deverá ser diferente?

Há diferenças nos formatos e acrescenta-se agora a relação com o público, que é um capitulo novo a escrever na ética jornalística, já que podemos ter contribuições dos utilizadores que podem influenciar o trabalho do jornalista,   e é preciso saber como creditar e até que ponto deixar ir essas contribuições, e aplica-se desde a análise comunitária de uma quantidade enorme de dados à moderação de comentários. Questionou-se o pagamento do site TMZ por informações sobre a morte de Michael Jackson, mas há anos que se faz isso. É menos correcto por ser um site ou sempre foi incorrecto? Vale tudo pela informação correcta primeiro que todos? Creio que os dilemas éticos presentes no Ciberjornalismo são basicamente os mesmos que sempre existiram antes do Jornalismo ser “ciber”, mas elevados à dimensão de uma sociedade da informação ávida de conteúdos noticiosos e num meio altamente competitivo. Mas caso todos os princípios éticos falhem, a última entidade reguladora será o consumidor, que agora tem o poder de questionar e desmascarar todas as situações duvidosas que lhe surgem, e rapidamente recorrer a alternativas. Antes isto não era possível e comia-se o que nos punham à frente, agora podemos escolher tudo. A ideia de que o público é amorfo e estúpido que existia na cabeça de alguns propagandistas é totalmente descabida nos dias em que vivemos, onde os utilizadores têm uma atitude proactiva no consumo de informação. Por isso a ética só deverá ser diferente numa coisa, tem que estar sempre a ser relembrada para não se cair em tentações próprias da vertigem informativa, tão propícia ao erro.

Entrevista I: Ética e certificação de sites

Por esta altura do ano costumo receber algumas perguntas de estudantes que estão a terminar trabalhos para cadeiras de Comunicação. Eu tento sempre responder o melhor que posso e  espero contribuir para o seu sucesso. Às vezes saem-me umas preciosidades, outras vezes é complicado. Esta foi 50/50.  A Marta Gonçalves Pereira é estudante do terceiro ano da Universidade Lusófona, e entrevistou-me sobre a certificação de sites, a partir da ideia apresentada por Pat Thornton. Eu na altura quando li o o post de Thornton fiquei com pena de não poder escrever um texto sobre o assunto, mas tinha as minhas dúvidas sobre uma série de coisas. Com estas respostas percebi que dúvidas eram essas e sem querer acabei por me desviar um pouco do assunto inicial, mas a Marta fez um interessante apanhado das minhas ideias no seu trabalho. Abaixo fica a transcrição completa do que lhe disse.

Segunda feira vou postar mais uma entrevista feita por outra aluna da Lusófona, essa mais centrada sobre questões éticas.

1. O que é a certificação de sites?

De acordo com a ideia de Pat Thornton, seria uma forma de destacar sites informativos que cumprissem com certas regras de qualidade e que operassem dentro de práticas correctas. Isto seria uma forma de separar o trigo do joio, os produtores dos parasitas de conteúdos informativos, e valorizá-los pela qualidade do seu trabalho. Isto é o conceito idealista. O lado complicado é a criação de um padrão que teria que ser estabelecido não sabemos por quem e aceite por todos, e consensos numa indústria que se encontra cada vez mais fragmentada é quase impossível. Além disso, um grupo de comunicação pode de repente decidir que a certificação existente não lhe convém e cria uma outra, e depois outro e assim sucessivamente. Mesmo gerida por uma entidade independente, duvido que seja uma realidade funcional.

Nós vemos que em certos produtos existe certificação – nos vinhos, por exemplo – e creio que o princípio seria basicamente o mesmo, a atribuição de garantias de qualidade a um produto por cumprir parâmetros considerados ideais.

2.Justifica-se haver um selo ético online para os sites de informação jornalística?

Justifica haver transparência nos processos jornalísticos, e online é possível ser-se mais transparente devido à natureza do meio. A pergunta deveria ser:

“justifica-se haver um selo etico online para os MEIOS de informação jornalistica?”. Porque não exigimos o mesmo aos jornais, às TVs e às rádios? A diferença está na licença que é atribuída aos meios de comunicação tradicionais, e que obriga os operadores a cumprirem com um grupo de regras, mas se podem ser sancionados por incumprimentos legais, não o são por quebrarem valores éticos ou se produzirem informação de baixa qualidade. Podem dizer que a diferença agora é que qualquer pessoa pode ter um orgão de informação online. Eu digo que antes qualquer pessoa com muito dinheiro podia ter um jornal, uma rádio ou um grupo de comunicação inteiro, esse é o ponto de quebra com o status quo estabelecido dentro do Quarto Poder.

Como o público online não é passivo como o público da televisão, por exemplo, acho que o selo não se justifica. Os próprios utilizadores é que fazem a regulação, escolhendo as fontes que mais confiam e onde se sentem mais à vontade – a informação na web tem um factor de envolvência importante. As televisões não têm selo ético e o telejornal mais visto em Portugal é provavelmente o pior deles todos, a nivel de qualidade e ética, mas é o mais visto. Não é o selo, por mais válido que seja, que vai credibilizar ou atrair mais público. A credibilidade é feita com trabalho, o público é uma questão de saber o que se diz, como, e a quem. O resto acontece por si mesmo.

3. Quais são as vantagens e desvantagens?

Vantagens: o Pat Thornton comparou esta ideia ao selo Creative Commons, o que é um excelente paralelo, ou seja, sendo uma ideia universalmente aceite, existiria forma de promover conteúdos de qualidade sob uma marca comum. Seria como uma espécie de “rede social de conteúdos” onde sabemos que o que circula dentro dessa rede obedece a padrões elevados de qualidade. Essa consensualidade criaria um nível superior de conteúdos, separado dos restantes, que seriam piores, e/ou parasitários.

Desvantagens: essa separação dava logo justificação para começarem a cobrar (mais) pelos conteúdos abrangidos pelo selo. Além disso, quem trabalha sabe que os erros acontecem e às vezes não se faz tudo como se devia. Só quem não faz nada é que nunca falha. O que aconteceria então? Haveria um sistema de controle para verificar esses erros? E seria capaz de avaliar os milhares de sites existentes? E que credibilidade teria o organismo regulador e fiscalizador? Se se pode trabalhar em crowdsourcing, até que ponto o público interviria nas decisões do organismo? E se houvesse quem não aceitasse as condições do selo e criasse um novo, concorrente? Há muitas questões funcionais que prejudicam a criação do selo.

Além disso creio que pode promover a ideia de elite e de clube fechado, o que é exactamente o que na minha web-filosofia se deve evitar.

4. Qual a sua opinião sobre a ideia do selo ético online?

Apesar de ser interessante como conceito, acho que é uma atitude defensiva por parte dos criadores de conteúdos. Acredito na autoregulação e na contribuição dos utilizadore, esses sim os verdadeiros reguladores. O mercado é demasiado competitivo para nos preocuparmos com atitudes protecionistas, é preciso é fazer o melhor que se sabe e esperar ter sucesso. Se falharmos eticamente será o nosso público (e os restantes)que nos irão pedir contas, apontar os nossos erros, e se estivermos a fazer tudo bem podemos até ganhar o respeito dos outros admitindo e corrigindo as nossas falhas. A ética serve para nos orientarmos correctamente nas nossas práticas profissionais e criarmos algo que seja socialmente valioso, neste caso, informação. Mas acho que apesar de ser uma linha de conduta profissional, de nada vale se não houver um empenho pessoal: se houver desonestidade por parte do indivíduo, duvido que não se reflicta na prática do profissional. A certificaçãoexterna é uma boa forma de incentivo mas não vem resolver nada, numa questão que é fundamental para a credibilização de uma actividade fundamental em qualquer sociedade que pretenda viver em liberdade e consciência.

No fundo, acho que é uma boa ideia, e que rapidamente seria desvirtuada por interesses externos.

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