Category Archives: Twitter

Google Reader is dead. Feedly + IFTTT recipes FTW

Feedly is finally on IFTTT.

You can grab my recipes and use them, or create your own, and happily distribute your favorite feeds across the web.

After much chagrin about Google Reader’s demise, Feedly became my RSS reader of choice, if not only by the fact that they upgraded fast to meet the needs of Google users. Now I even like it better than Google Reader.

feedly

Read more about Feedly’s IFTTT channel , and start sharing.

 

 

Medium is out

medium

And it looks really good. Medium is the new hybrid blogging platform created by Ev Williams. Still a bit buggy, and look at the template – you’ll see a lot of that soon –  it’s really cool. It’s not really a blogging platform, it’s simpler than that, and different from Twitter or Blogger (references needed since Ev Williams runs the show, and you login with Twitter) but kinda in between those two.

It’s a KISS interface, clean yet highly visual for a text based tool, and I’ll be definitely using  it for my essaying efforts. Another feature that could prove to be interesting is its organization in collections: besides my private “My Essays” collection – to which only I can contribute, I started another called “I Sing my Body Digital“, tag lined “Musings and opinions about what it means to be human in a digital world”, open to contributors, i.e., if you write about it you can add your …erm… “post” to it.

It’s not Tumblr, and I bet it will attract a lot of niche types too and a lot of high quality content. Worth trying out.

More concretely, Medium is a system for reading and writing. A place where you can find and share knowledge, ideas, and stories—specifically, ones that need more than 140 characters and are not just for your friends. It’s a place where you can work with others to create something better than you can on your own.

Medium is being built for everyone, but because we’re still testing and rolling out new features, creating content is limited to a small list (which we’re expanding on a daily basis).

Ev Williams, Welcome to Medium

Entrevista: Twitter e a liberdade de expressão dos jornalistas

Parece que é aquela altura do ano em que os estudantes universitários são obrigados a fazer trabalhos e decidem recorrer a tipos como eu para lhes dar pérolas de sabedoria, o que prova que esta juventude está perdida e eu ajudei a contribuir para isso. Desta vez foi a Mariana Branco, aluna de Comunicação Social em Coimbra (vou apostar aqui que é no ISMT, depois de uma pesquisa na net) que me pediu para comentar uns tópicos sobre o Twitter e principalmente sobre a liberdade que os jornalistas têm em expressar a sua opinião pessoal nas redes sociais.

– Redes sociais enquanto jornalismo participativo;

 

As redes sociais são uma evolução na possibilidade que a internet trouxe em dar aos utilizadores um papel mais activo no processo de criação e produção de conteúdos, jornalísticos ou não. Nas redes, mais do que a criação, é a partilha que se torna predominante. Ao termos um canal pessoal onde podemos veicular a realidade que nos rodeia do ponto de vista individual e ao mesmo tempo inseridos numa comunidade que vive ou está interessada nessa realidade, toda a informação ganha um peso enorme. Podemos verificar isso nas recentes revoluções no mundo árabe, onde grande parte da informação era constituída por fragmentos que juntos dão um quadro bastante abrangente da situação que se viveu.

Mas acima de tudo as redes são precisamente isso, um canal, e não uma prática. As redes sociais são um espaço onde a informação e as pessoas interagem de uma forma e a uma velocidade e volumes nunca antes vistos, mas uma multidão de pessoas numa sala a dar o seu depoimento ao mesmo tempo não é jornalismo. Há pessoas não consideradas como jornalistas que criam conteúdos seguindo procedimentos jornalísticos, mas a grande maioria tem apenas valor como testemunha e participante dos acontecimentos.

Há condições e potencial enormes para o jornalismo participativo nas redes sociais, como se tem visto nos últimos anos, mas é preciso saber identificar o que é testemunho pessoal e o que é jornalismo. E como disse, jornalismo é uma prática, e as redes sociais são um canal intenso de partilha de informação e interacção, logo encarar as redes  sociais enquanto jornalismo participativo é uma má premissa, devendo-se partir do princípio das redes como um espaço fulcral para o jornalismo participativo nos dias de hoje.

 

– Twitter como fonte credível, noticiosa;

 

Qualquer fonte deve ser verificada, contrastada, questionada na sua credibilidade. É um princípio básico do jornalismo, seja com uma testemunha no local do evento que se entrevista cara a cara, seja com uma fonte dentro de uma instituição, seja no Twitter. Existem procedimentos próprios para avaliar essa credibilidade das fontes online. É uma fonte tão credível como outra.

 

– A importância do Twitter para um jornalista;

 

O Twitter pode ser usado de várias formas por um jornalista, mas especialmente para recolher informação junto de instituições e personalidades que o usem, sendo também um canal mais ou menos informal de relacionamento com essas entidades e o seu público. É uma ferramenta de recolha e de análise informativa em tempo real porque quando algo de importante acontece nota-se logo, dependendo obviamente da rede de contactos que se tem.

É também um excelente canal de interacção entre o jornalista e o seu público, e mais um ponto de contacto para além do email pessoal, mais sucinto e directo.

O Twitter ao ser um rio de informação pode ser uma excelente ferramenta de recolha e pesquisa de informação, já que pode entrar directamente em contacto com um utilizador que esteja no local do evento que se quer cobrir, e questioná-lo directamente de forma imediata, algo que antes não seria possível. Imaginem que há um incêndio no Louvre: a partir de Portugal pode-se ter acesso ao testemunho, apoiado por imagens ou áudio, de alguém no local, nos momentos imediatos à divulgação dessa informação. No caso do avião do Rio Hudson em 2008 a notícia espalhou-se ainda antes do avião ter amarado, e as primeiras fotos espalharam-se rapidamente pelo mundo inteiro 15 minutos depois do primeiro tweet. Por isso o Twitter tem tanta importância para um jornalista como um carro, só tem utilidade se for bem usado.

 

– Opinião jornalística no Twitter (ou outra rede social) , isto é, será o jornalista livre de expressar o que pensa, revelar a sua opinião pessoal, revelar partidos sem que isso comprometa a sua vida profissional? Será o jornalista livre de expressar o que sente numa rede social? Terá apenas que divulgar a informação “nua e crua”, sem direito a opinião já fora da “zona de conforto” profissional?

 

Uma das questões mais importantes levantadas pelas redes sociais tem sido essa, a distinção entre o profissional e o pessoal, mas creio que se trata de uma falsa questão, as perspectivas poliíticas e pessoais são muitas vezes assumidas nas perguntas que se fazem numa entrevista ou na forma como se descreve um acontecimento, é uma questão baseada no mito da imparcialidade. Os jornalistas são as pessoas com mais opiniões à face da terra,e ainda bem, porque têm que reflectir sobre a quantidade de informação a que têm acesso e são acima de tudo humanos, contrariamente ao que muitos pensam. Têm é que ter mais cuidado na forma como expressam as suas opiniões em público já que lhes pode causar dificuldades ou desconfiança por parte das instituições com que tem que lidar e do seu público.

Por exemplo, um jornalista que se assuma como adepto de um clube e que passe a vida a falar mal de outros clubes, ou especialmente do presidente de um, pode ter problemas na relação de repórter com o objecto da notícia caso venha a entrevistar esse presidente, ou com os adeptos desse clube porque podem pensar que estará a ser parcial. Mas até pode beneficiar disso, o mais importante é que no seu trabalho cumpra com a sua parcialidade para com a verdade e o seu público. E isso é um ponto importante, os jornalistas com as redes sociais criam o seu próprio público por serem quem são e não apenas um porta-voz de uma publicação. As redes e as comunidades criam-se não só através do contacto profissional mas também por aquilo que as pessoas são, não se pode é cair em exageros.

O que defendo é que os jornalistas têm que saber definir quando é que falam em nome próprio ou em nome da publicação, sem se desvirtuarem como indivíduos e cidadãos, e que saibam  e estejam dispostos a arcar com as consequências disso, porque se começam logo por ter medo de mostrar a sua opinião pessoal ou não a sabem demonstrar convenientemente não servem para uma profissão que do ponto de vista pessoal e de princípios é muito desgastante e exigente. E como disse antes, todos os jornalistas têm opiniões, se dizem o contrário é porque estão a mentir, e mentir não se coaduna com o objectivo da profissão, por mais que isso aconteça.

Com estes canais o grau de exposição e o risco são maiores mas acho que são benéficos porque o público passa a ver para além da marca e da figura mitológica para o ser humano, termo que com algumas pessoas pode ser usado num sentido muito lato.

2011 – Achievements and Standpoint | Feitos e Ponto de Situação

The year is almost over and I have the need to put things into some perspective. So, despite considering it as one of the worst years I had in my life, I’m going to look at the things I did, and try to prove myself it wasn’t really that bad.

ACHIEVEMENTS

Professionally, the first half was good, I was teaching in a training program created by Porto University, instructing journalists from Cofina, one of the biggest portuguese media groups. I worked with over 200 journalists and editors and it was a really rewarding experience. I think I changed some minds and helped many improve their skills. The rest is not up to me.

I also worked as an instructor with the team of P3, a new youth oriented  news website, which was a different challenge because they were online only, thus with a whole another approach to content production. And my teaching days were then over.

I had to go back to be a student and finish my overdue MA final project. It wasn’t that good, and I could make all the excuses in the world because I really have a few good ones for not doing better and they would all be true, but the fact is I could have done better. Still, I had a commendation over it and I got an upgrade in my degree.  So far it hasn’t impressed anyone.

I wanted to develop a few projects but with all the problems I had this year some were postponed and I had to give up on others. I wanted to open my own business as a multimedia journalism producer/ consultant, but there’s a crisis going on, and people around here weren’t very impressed with my credentials. I have far better recognition abroad than in my own country, which kinda pisses me off. The fact is, I didn’t create my own job, nor I have one to complain about.

Meanwhile, I invested in video content, using a HDSLR, all my efforts can be seen here (only those uploaded in the last 3 months count). I did a short doc about a cultural association I work with, and most of the stuff I made is based on the events we have there, like concerts and exhibitions. It’s a good testing ground and I’m planning to use what I’ve learned to create more journalistic stuff.

O ano está quase a acabar e tenho a necessidade de pôr as coisas em perspectiva. Apesar de achar que este foi um dos piores anos da minha vida, vou olhar para o que fiz e tentar provar que afinal não foi assim tão mau.

FEITOS

Profissionalmente, os primeiros meses foram bons, fui formador num programa criado pela Universidade do Porto para a Cofina, onde trabalhei com mais de 200 jornalistas e editores das várias publicações do grupo e foi uma experiência fantástica. Acho que mudei algumas mentalidades e ajudei muitos a melhorar as suas capacidades. O resto não é comigo.

Também dei formação à equipa do P3, o que foi um desafio especial porque eles estão exclusivamente online, logo com uma aproximação completamente diferente na criação de conteúdos. E a seguir acabaram-se os dias como professor.

Tive que voltar a ser estudante e acabar o meu projecto final de mestrado. Não correu lá muito bem e podia dar todas as desculpas – e até tenho algumas muito boas e que são verdade – para isso, mas sei que podia ter feito melhor. Mesmo assim, passei com louvor e tenho agora um grau académico melhor. Até agora ninguém ficou lá muito impressionado com isso.

Quis desenvolver alguns projectos mas com todos os problemas que tive este ano alguns foram adiados outros esquecidos. Queria abrir o meu próprio negócio como jornalista multimédia / formador /consultor, mas há uma crise lá fora e as pessoas não parecem muito impressionadas com as minhas credenciais. Tenho melhor reconhecimento noutros países do que aqui, o que me deixa um bocado lixado. A verdade é que falhei em criar o meu emprego ou a arranjar um de que me possa queixar.

Entretanto investi na produção de vídeo com uma HDSLR, podem ver aqui alguns dos resultados (só os dos últimos 3 meses contam). Fiz um pequeno trabalho sobre a associação de que faço parte, e muitos dos videos são sobre coisas que por lá vão passando como concertos e exposições. É um bom tubo de ensaio (!), e estou a planear usar o que aprendi para fazer conteúdos mais jornalísticos.

I also wrote some interesting posts for the blog (check list below) and started a monthly column in a computer magazine, and did some articles for P3 (people there like me, what can I do?). I wrote an article about documentaries in this non-linear world, and a post at Innovative Interactivity about what features a news product should have.

Escrevi ainda uns posts interessantes aqui no blog (ver lista abaixo) e comecei uma coluna mensal na PCGuia, e fiz ainda alguns artigos para o P3 (o pessoal lá gosta de mim, que é que posso fazer?). Escrevi ainda um artigo sobre documentários neste mundo não linear, e um post convidado sobre as características que um produto jornalístico online deve ter.

Standpoint

This was one of the longest, strenuous years I have ever experienced. Even though I was able to accomplish some goals, they look meaningless in the overall outcome. I’m broke, unemployed, I have no perspectives.  It has always been one step forward and three behind. I had to give up on a lot of things, and basically I feel like it’s 2001 for me (another bad year) but with a heavier burden. I wasn’t expecting this.

My projects are moving slowly, there is no money or time to devote myself fully to them. I’m starting 2012 on basic survival mode, but that’s the outlook for millions of Portuguese people this year. Going abroad is a possibility, I understand Nando’s is always hiring. There’s a lot to decide in the upcoming weeks.

Still, I’m on the market, I’m trying to sell training and consultancy programs for local and regional newspapers, I’m available as a freelancer both for national or international media, and I’ll be presenting a few more ideas if things don’t get any worse.

2011 won’t be missed, too many bad things have happened, but such is life. I’m finishing way worse than I started, and I’m considering other options for my future, because life is unstoppable in its motion and either you roll with or get crushed. I’m a roller.

Death to 2011, I’ll look back on it with a bitter taste in my mouth.

Ponto de situação

Este foi um dos anos mais longos e extenuantes que vivi. Apesar de ter atingido alguns objectivos, tudo parece inútil no balanço geral. Estou basicamente falido, desempregado, sem grandes perspectivas. Foi sempre um passo para a frente e três para trás. Tive que desistir de muita coisa, e sinto-me de volta a 2001 (outro ano péssimo) mas apenas com um fardo ainda mais pesado. Não estava mesmo à espera disto.

Os meus projectos pessoais estão a andar devagar ou parados, não há dinheiro ou tempo para me dedicar a eles. Vou começar 2012 em modo de sobrevivência, mas sou e mais uns milhões de concidadãos. Ir para fora é uma possibilidade, também se lavam pratos lá fora. Há muito para decidir nas próximas semanas.

Por enquanto, estou no mercado, a tentar vender programas de formação e consultadoria para media locais e regionais. Estou disponível como freelancer para publicações nacionais ou internacionais, e tenho mais algumas ideias na manga se isto não piorar.

Não vou ter saudades de 2011, aconteceram demasiadas coisas más, mas é a vida. Termino o ano bem pior do que quando comecei e estou a ponderar outras opções para o meu futuro, porque a vida não pára, ou a acompanhamos ou somos esmagados pelo movimento.

Morte a 2011, vou-me lembrar deste ano com amargos de boca.

 

Entrevista sobre o Twitter

O Twitter tem uma página em que passa o seu/nosso ano em revista

A Elisa David é aluna do curso de Comunicação da ESEC,o mesmo que eu tirei ainda no século passado, e quis saber a minha opinião sobre o Twitter e o seu papel no Jornalismo.

Quem me segue sabe que volta e meia aparecem-me estudantes de cursos ligados ao Jornalismo com pedidos de entrevistas para trabalhos curriculares. Como até hoje acho que não ajudei ninguém a reprovar não me importo de responder o melhor que posso. Parece que vêm falar comigo porque alguém lhes disse que eu era especialista nestas coisas e eu tenho que fazer jus à reputação.Por uma questão de transparência (sim, houve gente que me entrevistou e depois usou as minhas respostas como se fossem ideias próprias) e também para rentabilizar o que disse aqui fica a última contribuição.

A Elisa foi muito simpática e atenta neste processo e levantou algumas questões interessantes. Ora cá vai:

 

Descobriu o twitter, ou foi ele que o descobriu a si?

Eu inscrevi-me no Twitter há pouco mais de 4 anos, comecei a ler bastante sobre a plataforma, que era um pouco diferente do que é agora, e fiquei curioso. Mas ainda demorou algum tempo até começar a usá-lo regularmente.

Porquê usar o twitter?

As razões pelas quais se usa o twitter variam de utilizador para utilizador, e também foram mudando ao longo do tempo para cada utilizador. Pode ser uma forma de se receber informação e ter um grau de interacção com um grupo específico de pessoas, definidas pela sua actividade profissional, gostos (fãs de uma banda, por exemplo), localização, ou seja, qualquer parâmetro que possa definir esse grupo. Mas, obviamente, como as pessoas têm várias características e interesses, acaba tudo por ser bem mais transversal do que isso, e raramente se usa o Twitter apenas para um grupo.

Há quem use o Twitter como uma espécie de chat público, mas vejo isso mais em utilizadores mais velhos, talvez sejam reminiscências do mIRC, mas é uma ferramente muito interessante de comentário e diálogo, já que a possibilidade de catalogar vários tweets através de uma hashtag permite organizar um discurso colectivo. Vemos isso à volta de eventos desportivos, acontecimentos mediáticos, desastres naturais e, especialmente depois da revolta no Irão em 2009, em torno de manifestações e sublevações populares.

A nível empresarial o Twitter é normalmente usado como um canal de difusão, o que desvirtua um pouco o espírito da plataforma. Mas a maioria das empresas não sabe dialogar, especialmente as ligadas aos media. O Facebook veio expor essas fragilidades a nu, mas os primeiros falhanços no diálogo nas redes sociais começam no Twitter, porque o utilizador comum podia libertar-se das caixas dos comentários  dos sites das empresas ou dos posts dos seus blogs e entrar no discurso público.

Eu pessoalmente comecei a usar o twitter como uma ferramenta de diálogo, mas depois dos 500 seguidores, especialmente se forem activos, é muito difícil apanhar tudo o que se passa, por mais atento que se seja. Agora uso mais como plataforma de partilha e como fonte de informação.

É que este é um canal com duas direcções e pode ser usada tanto para difundir como para pesquisar e seguir informação. Devido às suas características (o twitter tem 140 caracteres de limite porque era para ser usado através de sms) podemos ter uma leitura rápida sobre um assunto. Há quem diga que é algo superficial, mas o que eu digo é que a ponta do fio traz um novelo agarrado.

Eu pessoalmente comecei a usar o twitter como uma ferramenta de diálogo, mas depois dos 500 seguidores, especialmente se forem activos, é muito difícil apanhar tudo o que se passa, por mais atento que se seja. Agora uso mais como plataforma de partilha e como fonte de informação, mas estou a ver se reverto a situação, quanto mais uso o Facebook mais gosto do Twitter em termos de diálogo.

Como é que esta rede social o ajuda no exercício da sua profissão?

O melhor exemplo que posso dar é o caso do avião que amarou no Rio Hudson. Por acaso na altura estava a olhar para o Twitter e leio um que diz que um avião vai cair no rio Hudson, em Nova Iorque. “Vai cair”, ainda não caiu. Foi um daqueles eventos que se desenrolaram muito depressa, e comecei logo a procurar por mais informação, usando as palavras chave e seguindo  utilizadores que pareciam estar no local. E por imagens também, a RTP tem tido uma atitude muito boa relativamente ao uso das redes sociais e na altura eles perguntaram-me (através do Twitter) se tinha encontrado alguma foto. Assim que achei partilhei com eles e a RTP, em apenas 10 minutos – desde que se soube do que ia acontecer – mostrou uma foto do que tinha acontecido, no outro lado do oceano, sem passar por nenhum outro orgão de informação, apenas usando o contributo de cidadãos que estavam a testemunhar e a participar dos acontecimentos.

Há jornalistas que acham isto uma estupidez, já mo disseram na cara, mas se formos a ver não é muito diferente que estar a olhar para a máquina dos telex, ver uma notícia de última hora e entrar em contacto com as testemunhas. O que muda é a velocidade, a possibilidade de termos outras linguagens envolvidas como fotografias e videos, e muito particularmente, a atitude de partilha dos utilizadores: a informação vem ter connosco se a soubermos orientar e pesquisar.

  Sendo jornalista e utilizador desta plataforma, que vantagens considera que o twitter traz à sua profissão?

Acima de tudo a possibilidade de ter um contacto mais pessoal com o nosso público, poder criar uma linha de diálogo com quem consome o nosso trabalho é fundamental, apesar de ser por vezes difícil de lidar, mas depende muito da atitude que se tem, tanto perante o trabalho que se faz como com as opiniões dos outros.

Depois é a possibilidade de se poder criar a nossa própria rede de contactos, o nosso feed pessoal e público. Há muita gente a alterar o percurso tradicional da comunicação empresarial e a difundir informação directamente na sua conta do Twitter em vez de usar press releases e afins, por isso é preciso ter noção dessa mudança e adaptarmo-nos a ela.

A lógica de partilha, os retweets, também são úteis, não só por partilharmos informação não criada por nós que é relevante mas também por que damos algum crédito a quem a originou. Isso traz proximidade e é o que digo, a parte complicada do jornalismo não é escrever os textos ou fazer vivos para uma câmara, mas relacionarmo-nos com as pessoas e com as fontes. Se tivermos uma presença interessante e interessada as histórias e a informação vêm ter connosco.

Muita da sua fama advém da forma como utiliza as plataformas online. Até que ponto o twitter pode ser considerado uma ferramenta da informação?

É uma ferramenta pura de informação, porque funciona em tempo real (síncrono), é abrangente e transversal, sem limites geográficos, e tem um elevado grau de viralidade, ou seja, a mensagem pode-se espalhar muito depressa. Conheci gente muito crítica do Twitter, mas tenho a certeza que para passar a mensagem deles usariam de tudo ao seu alcance, nem que fossem sinais de fumo. É uma ferramenta de comunicação com características particulares, agora se é usada em todo o seu potencial pelos profissionais de informação é outra questão.

Considera que a simplicidade do twitter convém ao meio informativo ou, pelo contrário, torna a mensagem mais redutora?

A mensagem não é redutora porque um tweet é um ponto de partida. Pode ter um link para um artigo, um imagem, um video ou áudio: “Acidente A2 agora” + link da foto do carro espatifado. Isto não é redutor, é sucinto. Não diz as causas nem temos pormenores sobre as consequências, mas é um ponto de partida. O problema é que muita gente encara o jornalismo dessa forma, diz que houve um acidente e pronto, e não se dá ao trabalho de fazer mais perguntas. O meio nunca é redutor, a atitude pode ser.

O twitter é um serviço de mensagens. Sendo assim, faculta uma maior proximidade entre utilizadores. Acha que esta proximidade facilita o contacto com as fontes e, por conseguinte, o processo informativo?

Claro, porque permite o contacto e o diálogo imediato com vários utilizadores, contornando uma série de obstáculos e limitações como a localização, por exemplo. Eu estava em Birmingham a recolher informação partilhada por utilizadores locais durante as enxurradas na Madeira. Há quem ache que não se pode confiar em fontes online, mas tem que se fazer o mesmo que se faz às fontes offline: verificar, verificar, verificar.

Como se fazem entrevistas via twitter?
a) É um meio cómodo para entrevistador e entrevistado?

Depende, eu não acho que seja um bom meio para entrevistas mas acho um meio excelente para ser usado em entrevistas em directo noutros meios, seja no mundo real durante uma conferência, na rádio ou na televisão. Uma entrevista exclusivamente no Twitter tem que ter um público específico e que esteja disposto – assim como o entrevistador e o entrevistado deverão estar – a passar umas horas num diálogo intermitente que se condensaria em poucos minutos.

É uma forma fantástica de se abrir o processo da entrevista ao público e permitir que se façam perguntas que realmente interessam ao público, sem a mediação do jornalista. Isto levanta uma série de questões interessantes sobre o controlo e o papel do jornalista na informação  e a sua responsabilidade editorial, e também sobre o que as pessoas querem realmente saber, assim como o grau de exposição do entrevistado. Eu acho que torna tudo mais divertido.

b) Devido à limitação de caracteres, as perguntas dos jornalistas e as respostas das fontes não se tornam demasiado superficiais?

Se for tudo feito pelo Twitter e se não se souber comunicar pelo Twitter, sim. Mas o Twitter não é para se fazer dissertações, é preciso adequar tanto as perguntas como as respostas ao meio.

As aplicações como “twitter portugal” ou “twitter local” vieram facilitar a profissão do jornalista (quando utiliza esta plataforma)? Em que medida estas o auxiliam no contacto com as fontes?

Não uso essas plataformas, aliás, a única utilidade que tiveram para mim foi encontrar e ser encontrado por jornalistas nacionais. Mesmo as ferramentas de geolocalização do Twitter não são muito fiáveis, dependem do serviço de internet e da própria sinceridade dos utilizadores na altura de definir a sua localização. Podem ser uma forma de aproximarmo-nos ou permitir uma aproximação das fontes, mas há outras formas de filtrar, avaliar e contactar as fontes.

Acha que o twitter veio modificar a forma de fazer jornalismo em Portugal?

95%  dos jornalistas com que lidei até hoje não usam o Twitter, ou usam de forma muito residual. Eu às vezes acho que nem a Internet veio mudar a forma como se faz jornalismo em Portugal, mas isso sou eu que gosto de dramatizar as coisas. Não acredito que haja muitos jornalistas cá que encarem o twitter como uma das suas principais ferramentas de trabalho.

 

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Devo dizer ainda que reparei ontem que ultrapassei os 5 mil seguidores, o que não é mau, já que por norma nunca adiciono ninguém a não ser que me interesse mesmo, e adiciono de volta 90% das vezes, ou seja, não é um crescimento forçado ou que recorra a estratégias. Depois, ainda não tenho a última versão do Twitter a funcionar, mas parece-me ser muito interessante a forma como estão a redesenhar a plataforma e as sua funcionalidades.

A melhor das novidades é a possibilidade de incorporar os tweets nos blogs, mantendo o seu aspecto original, mas há muitas outras que valem a pena ser exploradas, mas não pensem que se trata de uma facebookização do Twitter. É algo mais.

Podem também ver o balanço do ano feito por eles, com os momentos mais marcantes que se desenrolaram a 140 caracteres de cada vez. Se não perceberem aí porque é que o Twitter é tão importante, então nunca  irão perceber.