Jan/120
Too true to be good | Demasiado verdade para ser bom #censorship #censura #Portugal

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If you can shout “censorship”, does it really exist? Yes. 38 years after the end of the dictatorship in Portugal we are watching a worrying trend in Portuguese media, the firing of dissonant voices. Last case was Pedro Rosa Mendes, a journalist and a writer that signed a weekly opinion space for the national public radio. He delivered a strong view over a TV show held by the public television in Angola (a country he knows well) where the approach towards the former colony was somewhat similar to the moment when the playground bully meets one of his victims some years later and realizes he can get his ass kicked. In this situation, bought. The opinion slot was shared with other four journalists and it was discontinued altogether. The reasons expressed by the public radio management were related to the content of Pedro Rosa Mende’s chronicle at first, but the current version is that the program’s end had already been scheduled and the contracts terminated. But the overall feeling is that we’re witnessing one of the grossest censorship acts that ever happened in democracy. Let me me put “democracy” between inverted commas. Angola’s money is speaking in volumes, and if we look at the level of freedom of speech there, we realize that there is almost none. As one of the emergent and powerful African economies it is a giant that can’t be ignored, with the risk of other countries being stepped on, especially when they’re already down on their knees. Like Portugal. This has started discussion in social networks, but this (and other) decisions seem to be irreversible. It’s like crying “FIRE!” and watch the whole damn thing burn as we stand nervously in the same place. Journalists have been losing their jobs because of their colliding views with the establishment. With a Angolan economical group lining up to buy one of the biggest media brands in Portugal, I fear what the future may bring for some professionals, and journalism itself. Europe has paid the price of freedom in blood too many times and in excessive quantity, and Portugal had its share too, to defend higher principles of sovereignty, democracy, equality, individual freedom of choice and thought. Unfortunately, this continent seems to have forgotten what it once stood for, while Portugal is getting more and more ashamed of our democratic heritage. In “democracy” you no longer get arrested, you just lose your job. |
Se podemos gritar “censura”, será que ela existe? Sim. 38 anos depois do fim da ditadura em Portugal estamos a assistir a uma tendência preocupante nos media portugueses, o despedimento de vozes dissonantes. O último caso foi o de Pedro Rosa Mendes, um jornalista e escritor que fazia uma crónica semanal para a Antena 1. Ele fez duras críticas sobre o programa feito pela RTP em Angola (um país que ele conhece bem) onde a abordagem à ex-colónia foi semelhante à do rufia do recreio que encontre uma das suas vítimas anos mais tarde e percebe que desta vez ele é que pode ser violentado. Ou, neste caso, comprado. O espaço de opinião era partilhado com quatro outros jornalistas e foi simplesmente cancelado. A direcção da rádio pública explicou a início que as razões deste fim estavam relacionadas com o conteúdo da crónica de Pedro Rosa Mendes, mas a versão actual indica que o programa já estava para ser terminado e os contratos cessados. Mas o sentimento geral é que estamos a assitir a um dos mais grosseiros actos de censura que alguma vez vimos em democracia. Deixem-me pôr “democracia” entre aspas. O dinheiro de Angola está a falar muito alto, e se olharmos para o nível de liberdade de expressão por lá, percebemos que não há quase nenhum. Como uma das economias emergentes mais poderosas de África, é um gigante que não pode ser ignorado, com o risco de outros países poderem ser pisados quando já estão de joelhos. Como Portugal. Isto iniciou uma discussão nas redes sociais, mas esta (e outras) decisões parecem ser irreversíveis. É como gritar “FOGO!” e ver o circo a arder enquanto nos mantemos nervosamente no mesmo sítio. Jornalistas têm perdido os seus empregos por causa das suas opiniões em rota de colisão com os poderes estabelecidos. Com um grupo angolano a planear comprar um dos maiores grupos de media em Portugal, temo pelo futuro de alguns profissionais e do próprio jornalismo. A Europa já pagou o preço da liberdade demasiadas vezes e em quantidade excessiva, e Portugal também tem a sua quota parte, para defender os altos princípios de soberania, democracia, igualdade, liberdade individual de escolha e pensamento. Infelizmente este continente parece ter-se esquecido do que defendia, enquanto que Portugal parece cada vez mais envergonhado da sua herança democrática. Em “democracia” já ninguém é preso, apenas despedido. |
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