O DN tem uma nova redacção, mas tem uma orientação para o online?

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Ao ver este vídeo do DN tenho duas reacções: uma de admiração e respeito pelo investimento feito na evolução e na criação de melhores condições de trabalho numa redacção nacional, outra de estupefacção. Onde é que está a estratégia para o online?

O espaço de trabalho define a forma e os resultados desse trabalho e, pelo que percebi da  descrição feita, o DN vai-se lançar como canal de televisão. A lista de inovações centra-se principalmente no hardware, no cenário, nas funcionalidades, mas zero na filosofia de conteúdos online e na estratégia de relação com os utilizadores, com a utilização da interactividade e do multimédia, na utilização das redes sociais. O que falta ali é o futuro dos conteúdos digitais.

Não vou falar mais especificamente do DN, já tive chatices que cheguem por causa de críticas a outros projectos e até agora ninguém me provou que estava errado, só me dificultou a vida profissional e animosidades mais ou menos veladas. Eu sei que não sou um génio, mas percebo disto.

Isto é um problema transversal aos grandes jornais (e jornalistas do papel?) portugueses que parecem morrer de inveja das televisões e querem ser uma, o que até é bem claro nas movimentações de investimentos dos grupos de media nacionais. O que querem perpetuar é a comunicação unidireccional que estão habituados a fazer desde sempre. É um problema de mentalidade, não de capacidade ou qualidade na informação.

As direcções dos jornais não percebem o online. Isso é ponto assente senão não faziam certos (des)investimentos.

Por isso, acho que a única coisa que posso fazer em vez de dar os meus bitaites de borla – se os quiserem vão ter que pagar – posso partilhar com vocês algumas ideias de outros sobre o que é ter uma filosofia dirigida para o online e conteúdos multimédia e interactivos:

How a Digital First approach guides a journalist’s work

How Digital First journalists work

Digital platforms are first in the processes and priorities of the Digital First journalist. We publish newspapers as well, but newspapers cannot drive our work. Newspapers are a shrinking audience and revenue stream and our digital community and revenue stream are growing. Our survival demands a digital focus.

Digital journalists produce content initially for multiple digital platforms: our news websites, blogs, social media, text alerts, email alerts and newsletters (and whatever comes next or whatever I’ve overlooked). Editors responsible for print products will assemble them primarily from content produced originally for digital platforms.

Whatever your job, you need to make high priorities to:

  • Work and think first for digital platforms.
  • Experiment and take risks.
  • Try new tools & techniques.
  • Cover news live.
  • Join, stimulate, curate and lead the community conversation.
  • Engage the community in your coverage.

 

Ten things every journalist should know in 2012

7. Focus on what works – do less to do more. No news organisation however well resourced can achieve everything. Work out what works and strive for excellence in that area.Sometimes you need to take a step back to see where your priorities should lie. You may realise it is better to write one original feature than chase five stories already in the public domain.

 

E no que toca ao valor da marca, ela passa por isto:

The new lazy journalism

 Did I need a newspaper to write precisely the same story days after I read it for the first time? How much do we care about the race for ‘first’ when first is now measured in seconds or perhaps minutes?

 

Robert Hernandez: For journalism’s future, the killer app is credibility

We want people who will cut through the spin and tell us what’s going on, how it will affect us and what can we do about it. We want transparent news. We want news that, while it may not always achieve that goal, honestly strives to be objective.We want to trust journalism. And to do so, we need to trust journalists.And bypassing the blogger-vs-tweeter-vs-media company-vs-journalist debate, it is going to come down to one thing: Credibility.

 

Forget doom, journalism’s future is bright

Picture 3

 

Senão, o que acontece é isto:

Newspapers Dead Within Five Years, USC Predicts

 

Posso oferecer duas borlas, uma sobre a criação de produtos jornalísticos dentro da filosofia que defendo para conteúdos digitais e este apontamento que mostra porque é que não fiquei demasiado impressionado com a nova redacção do DN (vejam o slideshow para ter uma ideia).

Isto é o que eu penso que é  parte do futuro do jornalismo. O vídeo do DN é muito daquilo que eu penso que não é.

 

One thought on “O DN tem uma nova redacção, mas tem uma orientação para o online?”

  1. Uma das questões que me ocorreu foi precisamente essa sobre televisão. A dada altura falam que têm não sei quantas ilhas de edição, a serem usadas pelos jornalistas que demonstrem mais capacidades para a área. Pergunto: mas isso não devia ser ao contrário? Parece-me que é mais um retratamento de visual – como fazem os jornais no papel – do que propriamente de fundo. Veremos.

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