The year is almost over and I have the need to put things into some perspective. So, despite considering it as one of the worst years I had in my life, I’m going to look at the things I did, and try to prove myself it wasn’t really that bad.
ACHIEVEMENTS
Professionally, the first half was good, I was teaching in a training program created by Porto University, instructing journalists from Cofina, one of the biggest portuguese media groups. I worked with over 200 journalists and editors and it was a really rewarding experience. I think I changed some minds and helped many improve their skills. The rest is not up to me.
I also worked as an instructor with the team of P3, a new youth oriented news website, which was a different challenge because they were online only, thus with a whole another approach to content production. And my teaching days were then over.
I had to go back to be a student and finish my overdue MA final project. It wasn’t that good, and I could make all the excuses in the world because I really have a few good ones for not doing better and they would all be true, but the fact is I could have done better. Still, I had a commendation over it and I got an upgrade in my degree. So far it hasn’t impressed anyone.
I wanted to develop a few projects but with all the problems I had this year some were postponed and I had to give up on others. I wanted to open my own business as a multimedia journalism producer/ consultant, but there’s a crisis going on, and people around here weren’t very impressed with my credentials. I have far better recognition abroad than in my own country, which kinda pisses me off. The fact is, I didn’t create my own job, nor I have one to complain about.
Meanwhile, I invested in video content, using a HDSLR, all my efforts can be seen here (only those uploaded in the last 3 months count). I did a short doc about a cultural association I work with, and most of the stuff I made is based on the events we have there, like concerts and exhibitions. It’s a good testing ground and I’m planning to use what I’ve learned to create more journalistic stuff.
O ano está quase a acabar e tenho a necessidade de pôr as coisas em perspectiva. Apesar de achar que este foi um dos piores anos da minha vida, vou olhar para o que fiz e tentar provar que afinal não foi assim tão mau.
FEITOS
Profissionalmente, os primeiros meses foram bons, fui formador num programa criado pela Universidade do Porto para a Cofina, onde trabalhei com mais de 200 jornalistas e editores das várias publicações do grupo e foi uma experiência fantástica. Acho que mudei algumas mentalidades e ajudei muitos a melhorar as suas capacidades. O resto não é comigo.
Também dei formação à equipa do P3, o que foi um desafio especial porque eles estão exclusivamente online, logo com uma aproximação completamente diferente na criação de conteúdos. E a seguir acabaram-se os dias como professor.
Tive que voltar a ser estudante e acabar o meu projecto final de mestrado. Não correu lá muito bem e podia dar todas as desculpas – e até tenho algumas muito boas e que são verdade – para isso, mas sei que podia ter feito melhor. Mesmo assim, passei com louvor e tenho agora um grau académico melhor. Até agora ninguém ficou lá muito impressionado com isso.
Quis desenvolver alguns projectos mas com todos os problemas que tive este ano alguns foram adiados outros esquecidos. Queria abrir o meu próprio negócio como jornalista multimédia / formador /consultor, mas há uma crise lá fora e as pessoas não parecem muito impressionadas com as minhas credenciais. Tenho melhor reconhecimento noutros países do que aqui, o que me deixa um bocado lixado. A verdade é que falhei em criar o meu emprego ou a arranjar um de que me possa queixar.
Entretanto investi na produção de vídeo com uma HDSLR, podem ver aqui alguns dos resultados (só os dos últimos 3 meses contam). Fiz um pequeno trabalho sobre a associação de que faço parte, e muitos dos videos são sobre coisas que por lá vão passando como concertos e exposições. É um bom tubo de ensaio (!), e estou a planear usar o que aprendi para fazer conteúdos mais jornalísticos.
This was one of the longest, strenuous years I have ever experienced. Even though I was able to accomplish some goals, they look meaningless in the overall outcome. I’m broke, unemployed, I have no perspectives. It has always been one step forward and three behind. I had to give up on a lot of things, and basically I feel like it’s 2001 for me (another bad year) but with a heavier burden. I wasn’t expecting this.
My projects are moving slowly, there is no money or time to devote myself fully to them. I’m starting 2012 on basic survival mode, but that’s the outlook for millions of Portuguese people this year. Going abroad is a possibility, I understand Nando’s is always hiring. There’s a lot to decide in the upcoming weeks.
2011 won’t be missed, too many bad things have happened, but such is life. I’m finishing way worse than I started, and I’m considering other options for my future, because life is unstoppable in its motion and either you roll with or get crushed. I’m a roller.
Death to 2011, I’ll look back on it with a bitter taste in my mouth.
Ponto de situação
Este foi um dos anos mais longos e extenuantes que vivi. Apesar de ter atingido alguns objectivos, tudo parece inútil no balanço geral. Estou basicamente falido, desempregado, sem grandes perspectivas. Foi sempre um passo para a frente e três para trás. Tive que desistir de muita coisa, e sinto-me de volta a 2001 (outro ano péssimo) mas apenas com um fardo ainda mais pesado. Não estava mesmo à espera disto.
Os meus projectos pessoais estão a andar devagar ou parados, não há dinheiro ou tempo para me dedicar a eles. Vou começar 2012 em modo de sobrevivência, mas sou e mais uns milhões de concidadãos. Ir para fora é uma possibilidade, também se lavam pratos lá fora. Há muito para decidir nas próximas semanas.
Não vou ter saudades de 2011, aconteceram demasiadas coisas más, mas é a vida. Termino o ano bem pior do que quando comecei e estou a ponderar outras opções para o meu futuro, porque a vida não pára, ou a acompanhamos ou somos esmagados pelo movimento.
Morte a 2011, vou-me lembrar deste ano com amargos de boca.
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Ao ver este vídeo do DN tenho duas reacções: uma de admiração e respeito pelo investimento feito na evolução e na criação de melhores condições de trabalho numa redacção nacional, outra de estupefacção. Onde é que está a estratégia para o online?
O espaço de trabalho define a forma e os resultados desse trabalho e, pelo que percebi da descrição feita, o DN vai-se lançar como canal de televisão. A lista de inovações centra-se principalmente no hardware, no cenário, nas funcionalidades, mas zero na filosofia de conteúdos online e na estratégia de relação com os utilizadores, com a utilização da interactividade e do multimédia, na utilização das redes sociais. O que falta ali é o futuro dos conteúdos digitais.
Não vou falar mais especificamente do DN, já tive chatices que cheguem por causa de críticas a outros projectos e até agora ninguém me provou que estava errado, só me dificultou a vida profissional e animosidades mais ou menos veladas. Eu sei que não sou um génio, mas percebo disto.
Isto é um problema transversal aos grandes jornais (e jornalistas do papel?) portugueses que parecem morrer de inveja das televisões e querem ser uma, o que até é bem claro nas movimentações de investimentos dos grupos de media nacionais. O que querem perpetuar é a comunicação unidireccional que estão habituados a fazer desde sempre. É um problema de mentalidade, não de capacidade ou qualidade na informação.
As direcções dos jornais não percebem o online. Isso é ponto assente senão não faziam certos (des)investimentos.
Por isso, acho que a única coisa que posso fazer em vez de dar os meus bitaites de borla – se os quiserem vão ter que pagar – posso partilhar com vocês algumas ideias de outros sobre o que é ter uma filosofia dirigida para o online e conteúdos multimédia e interactivos:
Digital platforms are first in the processes and priorities of the Digital First journalist. We publish newspapers as well, but newspapers cannot drive our work. Newspapers are a shrinking audience and revenue stream and our digital community and revenue stream are growing. Our survival demands a digital focus.
Digital journalists produce content initially for multiple digital platforms: our news websites, blogs, social media, text alerts, email alerts and newsletters (and whatever comes next or whatever I’ve overlooked). Editors responsible for print products will assemble them primarily from content produced originally for digital platforms.
Whatever your job, you need to make high priorities to:
Work and think first for digital platforms.
Experiment and take risks.
Try new tools & techniques.
Cover news live.
Join, stimulate, curate and lead the community conversation.
7. Focus on what works – do less to do more. No news organisation however well resourced can achieve everything. Work out what works and strive for excellence in that area.Sometimes you need to take a step back to see where your priorities should lie. You may realise it is better to write one original feature than chase five stories already in the public domain.
E no que toca ao valor da marca, ela passa por isto:
Did I need a newspaper to write precisely the same story days after I read it for the first time? How much do we care about the race for ‘first’ when first is now measured in seconds or perhaps minutes?
We want people who will cut through the spin and tell us what’s going on, how it will affect us and what can we do about it. We want transparent news. We want news that, while it may not always achieve that goal, honestly strives to be objective.We want to trust journalism. And to do so, we need to trust journalists.And bypassing the blogger-vs-tweeter-vs-media company-vs-journalist debate, it is going to come down to one thing: Credibility.
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The recent bent towards environmentally-focused data journalism by the Guardian and the ABC omits or radically marginalises information and reporting of data about jobs, wealth and small-town sustainability. Given the primacy of these ne…
No, this is not about news over an invasion of braindead flesh eaters. It’s about stories that were supposedly dead in the archives but somehow managed to get back to life via social networking and bookmarking.
Ad for the Best Horror Movie Festival in Portugal that suits this post perfectly
I already wrote about this subject here, but I want to share a situation that happened in Portugal last week. There was an article from Público going around Facebook that seemed awkwardly familiar, about the superior intellectual skills of those who stayed up late. Since I became an early bird and found out I’m more productive this way, the comments of those who felt their undisciplined sleeping habits were an advantage kind of pissed me off. That’s why it got stuck in my memory.
The article was first published over a year ago, but it had a huge come back, with hundreds of shares on Facebook, and there was a flurry of blog posts about it. And then there were funny things happening: the title on Facebook wasn’t the same as the original article (it seems someone decided to add “and drunk” to the original “Smarter people go later to bed”) and everyone had an opinion about the study results the article was based on, although they only had access to a short lead, because the full article is behind a paywall.
This is all that was available to read.It's in Portuguese, FYI.
Three questions come to my mind:
- How does an article return to life in the social networks?
-Do people even read what they share?
-How can news media make the best of this resurrection?
Well,the first answer is: it needs to be timeless and address strong feelings in the crowd. It’s hard to know what makes content viral, especially with such a lapse in time, but I’d bet on content that empowers user’s beliefs (or defies them) and generates discussion.
The second answer raises a scary possibility which is that people don’t really read the articles they share, but have strong opinions about the issues they cover, so they act uninformed.
Question number three is all about archive management and social network strategies: how can this accidental engagement of the community be used? Should the article be pulled behind of the paywall and be given eyeball opportunity again? Should the journalist do a follow up on the subject, ask the readers for their opinion, do a poll? Stay up late to assess the veracity of the story by asking intelligent questions or do IQ tests relating them to users sleeping habits?
Articles online are perennial, or they can come back more easily than their paper version. So their zombiefication can be promoted or, at least, be better defended. There are risks in having zombie articles out there, especially if the crowd doesn’t read them or notice the publish date: rumors based on misleading out of time titles can wreak havoc and, in some way, eat our brains.
And a funny fact for you: the vast majority of those who shared the article supported the theory that staying up late was a sign of being smarter. Wishful thinking, I guess.
What do you think about this? Have you shared any zombie articles lately?
I usually don’t post tutorials, but I’ve been asked by so many people to explain how to share stuff from Google Reader to their social networks that I’m doing this one. I already posted a negative rant last week, so this time I’ll be more constructive.I’m a heavy Reader user, with almost 500 feed sources and I usually go through a 1000 items each day , so this disruption was more than inconvenient for me.
Before the changes imposed by Google, all you had to do was to go through your feed item list on Reader, click on share, then had the feed of the shared articles folder connected to a service like dlvr.it and that was it, they would be automagically posted to Twitter and sorts. But since sharing is no more, we have to be a bit more creative. I started using Feedly, a better looking alternative to Google’s interface, but I used it mostly because it was simple and it kept the sharing option even after the “share” button disappeared from Reader. But as of last Friday, that is no longer possible. If you don’t know Feedly, take a look at this video.
Have This Will That
I started looking for alternative solutions that didn’t imply changing to another feed reader – I got used to Feedly and I’ve been enjoying the experience so far – and that weren’t too complicated. My goal was to send items that I wanted to share from my feed list to Twitter, Facebook and Linkedin. The best and the most simple solution was IFTTT.
IFTTT stands for If This Then That, and it is based on recipes (I’m sharing mine below). The recipe I wanted was something like: If shared on Reader, Than post to social network. But since sharing is no longer possible we have to use something else, like the Starred items.
Feedly doesn’t have a “star item” option, but it will do that if you press the “save for later” button. So, either you’re still using GReader’s interface or you moved to Feedly just like me, that’s the way it works.
Then I created my recipes on IFTTT (you can use them and change the settings – all you have to do is click on the icons and login to the services). I tweaked them so the articles appeared in my Twitter timeline like this: [FEED] item title + item url.
For Facebook I chose to use the text of the article too, but you can remove that.
But there are other articles I want to keep for future reference. Delicious was my first choice for social bookmarking, but when there was a real chance it might shut down, I started using Diigo as a backup. Still, since Delicious is still active and Diigo has extra features, including one that pushes all the bookmarked content to Delicious, I use them both.
First I installed the Diigo addon to Firefox, then connected both accounts. Here’s when dlvr.it steps in. I added my Delicious account to the sources and then picked the channels to which I wanted my bookmarked contents distributed. In the source settings I chose to use the [Delicious] prefix so those links would stand out from the Google Reader shares.
Feed delivery routes from Delicious to Social Networks via dlvr.it
So, in a nutshell, here’s my feed flow, I hope it was useful for you. There are other alternatives but this was the simplest way to get around the sharing block. If you have suggestions let me know.
Since Google Reader shut down labs my internet experience has been degraded to a point I keep insulting Google executives to the future and previous 4th generations.
First it was the sharing ability that made Google Reader so great, I could press a button and share great content with my networks. It was part of my professional strategy, and a daily routine. They lost that so I changed to Feedly, where I could keep sharing my stuff as long as I used dlvr.it. That was ok, Feedly had a better looking interface. Today I can’t do that anymore.
Other Google features that were amazing for niche groups of users were cancelled along the way too. Google stopped being a really innovative, experimental company to become a bland, corporate, windows-like company. They mess with search results, they are conforming experience to what they want and not to what users need, and the worst of it all, people aren’t even noticing.
I understand changes happen regularly, but give me alternatives, or at least allow alternatives to work.
I had a totally different image from Google: big, yet with a anarchic spirit, and eager for experimenting. Now it looks like a pack of services for corporate twats. Maybe people running the company are just that: a bunch of twats, from the previous to the future 4th generation.
Agora que tenho a vossa atenção, passo a explicar: o Público deve andar admirado por ter um artigo do ano passado, fechado a sete chaves por detrás da sua assinatura, com tanto impacto nas redes sociais.
Dois pontos importantes:
as pessoas não lêem os artigos que partilham no Facebook;
porque é que um post popular com quase um ano de vida não passa para o domínio….hmm…público?
artigo no site do Público
Há assuntos que parecem ter um encanto especial, particularmente aqueles que validam práticas de vida que não nos são muito favoráveis. eu delirei com o estudo que dizia que a cerveja não provocava barriga e que comer chocolates não engordava e fazia bem à saúde. Este do Público que diz que as pessoas que se deitam mais tarde são mais inteligentes.
Aliás, o que podemos ler no que está disponível no site é o seguinte:
As “corujas” são mais criativas e as “cotovias” mais organizadas. Entre cérebros “artísticos” e “pragmáticos” era essa a diferença imposta pelos ritmos de actividade. Mas agora um estudo veio quebrar este equilíbrio com uma conclusão, no mínimo, controversa: as pessoas que se deitam tarde têm tendência para ser mais inteligentes do que as outras. Por Luís Francisco
sendo o título :
Sono
Os mais inteligentes deitam-se tarde
mas como podem ver na imagem, o que está a ser partilhado no Facebook é:
Os mais inteligentes deitam-se tarde e bêbedos
o que para mim só prova uma coisa: o pessoal partilha tudo a que achar piada sem ler o texto na sua totalidade. E mudam os títulos quando os partilham.
Um artigo em Abril de 2009 no Telegraph anunciava que os que se deitam mais tarde são mais ricos e mais espertos, só para verem como é um tema recorrente nas secções de ciência. Não vou contestar tais estudos, mas acho que se nos andarmos todos a deitar tarde e a más horas para acordar para o trabalho bem cedo a coisa não resulta. Uma das causas mais comuns para acidentes rodoviários é adormecer ao volante, por exemplo.
Eu funciono melhor de manhã mas é porque acho que evito a estupidez geral de quem acha que é muito inteligente porque se deita tarde e não porque fez alguma coisa por isso. De qualquer das formas, tenho dias que antes de almoço já trabalhei 6 horas e ainda faço mais 8 no resto do dia. Como não me pagam por isso, deve ser a prova de que sou meeeeeeeeeeeesmo menos inteligente do que se me deitasse às horas a que me levanto.
No que toca ao jornalismo em si, acho fantástico que um artigo com quase um ano tenha ganho vida através das redes sociais. Eu em antecipação já tinha escrito um post na semana passada a falar disso mesmo (isto é porque acordo cedo e dá-me para escrever coisas).
O que não está a acontecer é a mobilização por parte das publicações em rentabilizar ou compreender o fenómeno, com uma má gestão dos arquivos e, como neste caso, negando-lhes o acesso, mas se houvesse a possibilidade de se fazerem micro pagamentos talvez até rendesse alguma coisa. Eu disse que o Público deve andar admirado, mas se calhar nem por isso.. Também não importa muito porque os utilizadores não passaram do lead, só para verem o que o pessoal está disposto a ler se o título for demasiado apelativo ao ego. Eu prefiro coisas mais ligadas ao estudo.
Se fizermos uma pesquisa no Google com o título do artigo, podemos observar um fenómeno interessante :
pesquisa a 14 de Dezembro de 2011. Vejam o sublinhado a amarelo.
A blogosfera está a ampliar o efeito zombie deste artigo. Imaginem que um artigo sobre a economia portuguesa se torna viral de um momento para o outro, apesar de ter sido publicado há mais de um ano? Um tweet lançou um rumor que levou 10000 pessoas a esvaziar as suas contas bancárias na Letónia.
A crowd não está a fazer bem o seu trabalho de curadoria? O mais extraordinário é que parece que o tema tem sido discutido e dissecado em posts, comentários e fóruns sem que a esmagadora maioria dos utilizadores tenha lido o artigo.
Como é que se podia tirar proveito do buzz à volta deste artigo? Um follow up? Uma aproximação à comunidade, com questões sobre os hábitos de sono dos seus membros? Um teste de QI em que se separavam os resultados por hora de deitar?
Eu aprendi há muito tempo que a inteligência não é uma coisa que se tem, mas algo que se usa, normalmente aliada à curiosidade. Se leram este post até ao fim digo-vos que, para mim, vocês são os leitores mais inteligentes do mundo.
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"If you want to be successful in the future. A world in which we have an abundance of channels, sources, and views. The first thing you need to do is to get rid of the 250 words a picture culture.
O Twitter tem uma página em que passa o seu/nosso ano em revista
A Elisa David é aluna do curso de Comunicação da ESEC,o mesmo que eu tirei ainda no século passado, e quis saber a minha opinião sobre o Twitter e o seu papel no Jornalismo.
Quem me segue sabe que volta e meia aparecem-me estudantes de cursos ligados ao Jornalismo com pedidos de entrevistas para trabalhos curriculares. Como até hoje acho que não ajudei ninguém a reprovar não me importo de responder o melhor que posso. Parece que vêm falar comigo porque alguém lhes disse que eu era especialista nestas coisas e eu tenho que fazer jus à reputação.Por uma questão de transparência (sim, houve gente que me entrevistou e depois usou as minhas respostas como se fossem ideias próprias) e também para rentabilizar o que disse aqui fica a última contribuição.
A Elisa foi muito simpática e atenta neste processo e levantou algumas questões interessantes. Ora cá vai:
Descobriu o twitter, ou foi ele que o descobriu a si?
Eu inscrevi-me no Twitter há pouco mais de 4 anos, comecei a ler bastante sobre a plataforma, que era um pouco diferente do que é agora, e fiquei curioso. Mas ainda demorou algum tempo até começar a usá-lo regularmente.
Porquê usar o twitter?
As razões pelas quais se usa o twitter variam de utilizador para utilizador, e também foram mudando ao longo do tempo para cada utilizador. Pode ser uma forma de se receber informação e ter um grau de interacção com um grupo específico de pessoas, definidas pela sua actividade profissional, gostos (fãs de uma banda, por exemplo), localização, ou seja, qualquer parâmetro que possa definir esse grupo. Mas, obviamente, como as pessoas têm várias características e interesses, acaba tudo por ser bem mais transversal do que isso, e raramente se usa o Twitter apenas para um grupo.
Há quem use o Twitter como uma espécie de chat público, mas vejo isso mais em utilizadores mais velhos, talvez sejam reminiscências do mIRC, mas é uma ferramente muito interessante de comentário e diálogo, já que a possibilidade de catalogar vários tweets através de uma hashtag permite organizar um discurso colectivo. Vemos isso à volta de eventos desportivos, acontecimentos mediáticos, desastres naturais e, especialmente depois da revolta no Irão em 2009, em torno de manifestações e sublevações populares.
A nível empresarial o Twitter é normalmente usado como um canal de difusão, o que desvirtua um pouco o espírito da plataforma. Mas a maioria das empresas não sabe dialogar, especialmente as ligadas aos media. O Facebook veio expor essas fragilidades a nu, mas os primeiros falhanços no diálogo nas redes sociais começam no Twitter, porque o utilizador comum podia libertar-se das caixas dos comentários dos sites das empresas ou dos posts dos seus blogs e entrar no discurso público.
Eu pessoalmente comecei a usar o twitter como uma ferramenta de diálogo, mas depois dos 500 seguidores, especialmente se forem activos, é muito difícil apanhar tudo o que se passa, por mais atento que se seja. Agora uso mais como plataforma de partilha e como fonte de informação.
É que este é um canal com duas direcções e pode ser usada tanto para difundir como para pesquisar e seguir informação. Devido às suas características (o twitter tem 140 caracteres de limite porque era para ser usado através de sms) podemos ter uma leitura rápida sobre um assunto. Há quem diga que é algo superficial, mas o que eu digo é que a ponta do fio traz um novelo agarrado.
Eu pessoalmente comecei a usar o twitter como uma ferramenta de diálogo, mas depois dos 500 seguidores, especialmente se forem activos, é muito difícil apanhar tudo o que se passa, por mais atento que se seja. Agora uso mais como plataforma de partilha e como fonte de informação, mas estou a ver se reverto a situação, quanto mais uso o Facebook mais gosto do Twitter em termos de diálogo.
Como é que esta rede social o ajuda no exercício da sua profissão?
O melhor exemplo que posso dar é o caso do avião que amarou no Rio Hudson. Por acaso na altura estava a olhar para o Twitter e leio um que diz que um avião vai cair no rio Hudson, em Nova Iorque. “Vai cair”, ainda não caiu. Foi um daqueles eventos que se desenrolaram muito depressa, e comecei logo a procurar por mais informação, usando as palavras chave e seguindo utilizadores que pareciam estar no local. E por imagens também, a RTP tem tido uma atitude muito boa relativamente ao uso das redes sociais e na altura eles perguntaram-me (através do Twitter) se tinha encontrado alguma foto. Assim que achei partilhei com eles e a RTP, em apenas 10 minutos – desde que se soube do que ia acontecer – mostrou uma foto do que tinha acontecido, no outro lado do oceano, sem passar por nenhum outro orgão de informação, apenas usando o contributo de cidadãos que estavam a testemunhar e a participar dos acontecimentos.
Há jornalistas que acham isto uma estupidez, já mo disseram na cara, mas se formos a ver não é muito diferente que estar a olhar para a máquina dos telex, ver uma notícia de última hora e entrar em contacto com as testemunhas. O que muda é a velocidade, a possibilidade de termos outras linguagens envolvidas como fotografias e videos, e muito particularmente, a atitude de partilha dos utilizadores: a informação vem ter connosco se a soubermos orientar e pesquisar.
Sendo jornalista e utilizador desta plataforma, que vantagens considera que o twitter traz à sua profissão?
Acima de tudo a possibilidade de ter um contacto mais pessoal com o nosso público, poder criar uma linha de diálogo com quem consome o nosso trabalho é fundamental, apesar de ser por vezes difícil de lidar, mas depende muito da atitude que se tem, tanto perante o trabalho que se faz como com as opiniões dos outros.
Depois é a possibilidade de se poder criar a nossa própria rede de contactos, o nosso feed pessoal e público. Há muita gente a alterar o percurso tradicional da comunicação empresarial e a difundir informação directamente na sua conta do Twitter em vez de usar press releases e afins, por isso é preciso ter noção dessa mudança e adaptarmo-nos a ela.
A lógica de partilha, os retweets, também são úteis, não só por partilharmos informação não criada por nós que é relevante mas também por que damos algum crédito a quem a originou. Isso traz proximidade e é o que digo, a parte complicada do jornalismo não é escrever os textos ou fazer vivos para uma câmara, mas relacionarmo-nos com as pessoas e com as fontes. Se tivermos uma presença interessante e interessada as histórias e a informação vêm ter connosco.
Muita da sua fama advém da forma como utiliza as plataformas online. Até que ponto o twitter pode ser considerado uma ferramenta da informação?
É uma ferramenta pura de informação, porque funciona em tempo real (síncrono), é abrangente e transversal, sem limites geográficos, e tem um elevado grau de viralidade, ou seja, a mensagem pode-se espalhar muito depressa. Conheci gente muito crítica do Twitter, mas tenho a certeza que para passar a mensagem deles usariam de tudo ao seu alcance, nem que fossem sinais de fumo. É uma ferramenta de comunicação com características particulares, agora se é usada em todo o seu potencial pelos profissionais de informação é outra questão.
Considera que a simplicidade do twitter convém ao meio informativo ou, pelo contrário, torna a mensagem mais redutora?
A mensagem não é redutora porque um tweet é um ponto de partida. Pode ter um link para um artigo, um imagem, um video ou áudio: “Acidente A2 agora” + link da foto do carro espatifado. Isto não é redutor, é sucinto. Não diz as causas nem temos pormenores sobre as consequências, mas é um ponto de partida. O problema é que muita gente encara o jornalismo dessa forma, diz que houve um acidente e pronto, e não se dá ao trabalho de fazer mais perguntas. O meio nunca é redutor, a atitude pode ser.
O twitter é um serviço de mensagens. Sendo assim, faculta uma maior proximidade entre utilizadores. Acha que esta proximidade facilita o contacto com as fontes e, por conseguinte, o processo informativo?
Claro, porque permite o contacto e o diálogo imediato com vários utilizadores, contornando uma série de obstáculos e limitações como a localização, por exemplo. Eu estava em Birmingham a recolher informação partilhada por utilizadores locais durante as enxurradas na Madeira. Há quem ache que não se pode confiar em fontes online, mas tem que se fazer o mesmo que se faz às fontes offline: verificar, verificar, verificar.
Como se fazem entrevistas via twitter? a) É um meio cómodo para entrevistador e entrevistado?
Depende, eu não acho que seja um bom meio para entrevistas mas acho um meio excelente para ser usado em entrevistas em directo noutros meios, seja no mundo real durante uma conferência, na rádio ou na televisão. Uma entrevista exclusivamente no Twitter tem que ter um público específico e que esteja disposto – assim como o entrevistador e o entrevistado deverão estar – a passar umas horas num diálogo intermitente que se condensaria em poucos minutos.
É uma forma fantástica de se abrir o processo da entrevista ao público e permitir que se façam perguntas que realmente interessam ao público, sem a mediação do jornalista. Isto levanta uma série de questões interessantes sobre o controlo e o papel do jornalista na informação e a sua responsabilidade editorial, e também sobre o que as pessoas querem realmente saber, assim como o grau de exposição do entrevistado. Eu acho que torna tudo mais divertido.
b) Devido à limitação de caracteres, as perguntas dos jornalistas e as respostas das fontes não se tornam demasiado superficiais?
Se for tudo feito pelo Twitter e se não se souber comunicar pelo Twitter, sim. Mas o Twitter não é para se fazer dissertações, é preciso adequar tanto as perguntas como as respostas ao meio.
As aplicações como “twitter portugal” ou “twitter local” vieram facilitar a profissão do jornalista (quando utiliza esta plataforma)? Em que medida estas o auxiliam no contacto com as fontes?
Não uso essas plataformas, aliás, a única utilidade que tiveram para mim foi encontrar e ser encontrado por jornalistas nacionais. Mesmo as ferramentas de geolocalização do Twitter não são muito fiáveis, dependem do serviço de internet e da própria sinceridade dos utilizadores na altura de definir a sua localização. Podem ser uma forma de aproximarmo-nos ou permitir uma aproximação das fontes, mas há outras formas de filtrar, avaliar e contactar as fontes.
Acha que o twitter veio modificar a forma de fazer jornalismo em Portugal?
95% dos jornalistas com que lidei até hoje não usam o Twitter, ou usam de forma muito residual. Eu às vezes acho que nem a Internet veio mudar a forma como se faz jornalismo em Portugal, mas isso sou eu que gosto de dramatizar as coisas. Não acredito que haja muitos jornalistas cá que encarem o twitter como uma das suas principais ferramentas de trabalho.
Devo dizer ainda que reparei ontem que ultrapassei os 5 mil seguidores, o que não é mau, já que por norma nunca adiciono ninguém a não ser que me interesse mesmo, e adiciono de volta 90% das vezes, ou seja, não é um crescimento forçado ou que recorra a estratégias. Depois, ainda não tenho a última versão do Twitter a funcionar, mas parece-me ser muito interessante a forma como estão a redesenhar a plataforma e as sua funcionalidades.
A melhor das novidades é a possibilidade de incorporar os tweets nos blogs, mantendo o seu aspecto original, mas há muitas outras que valem a pena ser exploradas, mas não pensem que se trata de uma facebookização do Twitter. É algo mais.
Podem também ver o balanço do ano feito por eles, com os momentos mais marcantes que se desenrolaram a 140 caracteres de cada vez. Se não perceberem aí porque é que o Twitter é tão importante, então nunca irão perceber.